Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 29/12/2020
Na metade do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje, “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa a problemática na conciliação entre Biotecnologia e a Ética no país, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto tanto de questões políticas estruturais quanto do seu uso indevido por simples preferência e obtenção de lucro.
Precipuamente, é fulcral pontuar que essas circunstâncias derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial e entre os maiores exportadores de produtos transgênicos do mundo, seria racional acreditar que há no Brasil um órgão competente e uma legislação própria para regulamentar o desenvolvimento e a comercialização de alimentos transgênicos. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido no livre manejo de gêneros modificados como a soja, onde uma proteína originada de outro ser vivo é introduzida em seu material genético, lhe concedendo resistência e produtividade, o que altera todo o processo evolutivo e contribui para a extinção das espécies originais. Logo, é inadmissível que no Brasil, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas, não haja a devida regulamentação e leis claras que visem a união entre o desenvolvimento biológico e a ética.
Ademais, é imperativo ressaltar o uso indevido dessa tecnologia como promotor do problema. Nesse sentido, devido à grande rentabilidade e a falta de conhecimento de parte da população, vários laboratórios ao redor do mundo oferecem a “fertilização in vitro” com o propósito de selecionar características genéticas, a exemplo da cor dos olhos e pele. Nessa lógica, o uso incorreto da biotecnologia se torna um problema, já que pode ser usada como meio de segregação social ao classificar características mais desejáveis como olhos verdes, além de ser uma técnica recente que carece de mais pesquisas. Portanto, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como os impactos nefastos e irreversíveis que essa realidade nociva e segregacionista pode ocasionar.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas de conciliação entre biotecnologia e ética. Para isso, com intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Estado desenvolva um órgão exclusivo para administrar e regulamentar os limites da biotecnologia. Outrossim, tal instituição deve ser ministrada por especialistas, que visem o uso dessa ciência para tratar enfermidades e aumentar a produtividade agrícola de forma sustentável ao impor a obrigatoriedade da gestão da produção por um agrônomo capacitado.Somente assim,a convicção de Zweig acerca do Brasil se tornará uma realidade.