Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 27/12/2020
O uso da biotecnologia revolucionou a produção de alimentos, deixando a teoria malthusiana à beira do ridículo, visto que ela afirmava que a população mundial cresceria ao ponto de não haver alimentos para todo mundo. Entretanto, a corrida biotecnológica também trouxe impactos que mancharam a história da humanidade, como as práticas experimentais nos campos de concentrações nazistas. Logo, devesse equilibrar o desenvolvimento biotecnológico com os preceitos éticos, pois, só assim será possível obter verdadeiros avanços sociais.
Inicialmente, é válido ressaltar que o desenvolvimento da tecnologia molecular é essencial para a sobrevivência humana. De acordo com o Ministério da Agricultura, a produção de soja no Brasil aumentou mais de 170% na última década. Isso se deu, graças ao desenvolvimento biológico das sementes transgênicas, as quais apresentam maior produtividade e maior adaptação ao solo ácido do cerrado. Deste modo, a exploração agrícola de terras inóspitas foi possibilitada pela evolução cientifica e o homem foi beneficiado com a possibilidade de superar as adversidades naturais.
No entanto, quando o desenvolvimento biotecnológico não atende aos princípios bioéticos os resultados são danosos. Nesse sentido, o laboratório Bayer experimentou medicamentos diretamente em seres humanos, durante a segunda grande guerra, nos campos de concentração nazista. Com isso, o campo farmacêutico evoluiu décadas, mas a humanidade regrediu séculos. Assim, conclui-se que o desenvolvimento de biotecnologias não pode se respaldar na maximização dos lucros e sim na descoberta de soluções para os problemas sociais a partir de estudos que respeitem as pessoas e o meio ambiente.
Portanto, é imperioso que se busque a conciliação da evolução biotecnológica e os preceitos éticos. Desta forma, a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da formulação de diretrizes, deve estabelecer limites para o desenvolvimento de biotecnologias, a fim de evitar práticas danosas à saúde do homem e à natureza. Para tanto, deverá criar comissões multidisciplinares para avaliarem qualquer estudo biológico que possa acarretar mudanças substanciais, como: pesquisas de novos medicamentos, desenvolvimentos de indivíduos híbridos, dentre outros. Assim sendo, toda nova pesquisa sobre biotecnologia estará condicionada à aprovação do órgão competente.