Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 29/12/2020
No primeiro filme da trilogia Capitão América, a criação do soldado perfeito por meio de experimentos biogenéticos reflete a busca incessante por resultados de melhorias genéticas fora da ficção. No entanto, muitas vezes tais pesquisas apresentam riscos para o tecido social, ao ponto que geram várias discussões e impasses éticos intermináveis, seja pela falta de conhecimento sobre as consequências dessa utilização, seja pela busca por lucro. Sendo assim, faz-se necessário o debate acerca dessa inconciliação que se configura um mal a ser resolvido.
Em primeiro plano, é preciso destacar que é inegável a contribuição da biotecnologia para o campo da saúde, no qual a qualidade de vida foi transformada pela invenção do antibiótico, das vacinas e dos tratamentos com células tronco. Porém, lidar com manipulação genética e clonagem, por exemplo, pode ser perigoso, pois não há conhecimento necessário para prever as consequências da inclusão ou exclusão de genes no organismo. Nesse sentido, isso vai contra a evolução natural de Charles Darwin, na qual os seres mais aptos são selecionados ao longo de centenas de anos, com tempo necessário para experienciar os resultados das variações genéticas. Dessa forma, ao interferir no organismo sem total segurança das consequências, a biotecnologia não age eticamente.
Outrossim, é importante incluir a ganância humana, a qual coloca o lucro acima de qualquer ética. Sob esse aspecto, convém citar os alimentos transgênicos, cuja função inicial era adaptar as plantações aos diferentes climas do Brasil, entretanto, em busca da superprodução e consequente retorno financeiro, as espécies de plantas passaram a receber genes resistentes às pragas e com maior durabilidade e tamanho. Por conseguinte, isso pode trazer danos à saúde como desenvolvimento de câncer e alergias, além de ir totalmente contra a ética do filósofo Kant, a qual afirma que as atitudes devem ser pautadas por uma moral universal e livre de interesses particulares, o que claramente não é observado nesse caso.
Em suma, medidas são necessárias para atenuar a problemática supracitada. Para tanto, o Governo Federal deve, mediante subsídios tributários, mediar e controlar as ações dos cientistas e instituições que promovem a biotecnologia, envolvendo-se ativamente com as áreas de pesquisas do país, ao selecionar uma banca para julgar o que deve ser espalhado pela sociedade ou não, a fim de desenvolver a biotecnologia sem denegrir a ética. Ademais, compete às escolas abordar o tema dentro da sala de aula, por intermédio das disciplinas de Ciências da Natureza, com vistas a formar jovens diplomáticos e sensatos. Assim, a biotecnologia será amparada pela ética em busca do bem comum e não de interesses particulares ou eugenistas como o do filme Capitão América.