Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 31/12/2020

A série norte-americana Orphan Black, produzida nos anos 2.000, elucida os entraves éticos e morais do extremo uso da biotecnologia, ao passo que retrata o controle de um cientista sobre clones humanos que desconhecem suas raízes ancestrais. Analogamente, fora das telas, os principais impasses da ciência moderna permeiam a ausência de limites laboratoriais e a pobre informação social sobre as  inovações científicas. Nesse sentido, seja pelo incipiente dialogo biomédico com a população ou pela precariedade de consenços sobre a permissividade criativa, o equilibrio entre o desenvolvimento e o respeito à natureza cunha-se distante de acontecer e, por isso, carece de cuidados.

Previamente, é relevante salientar a ignorância civil sobre os resultados de diversas pesquisas. À medida que a primeira duplicação de um mamífero foi realizada, no século XX, a animação social com a possibilidade de avanços biotecnológicos tornou-se considerável. Entretanto, o precoce óbito da ovelha Dolly - pioneiro animal replicado em questão - exemplifica o desconhecimento dos pesquisadores sobre os riscos das descobertas. Dessa forma, assuntos como a nocividade dos agrotóxicos, por exemplo, permanecem sem respostas à população. Prova disso é a falta de informações sobre os cem erradicadores agrícolas permitidos pela governo tupiniquim em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa. Desse modo, instruir os civis antes de comercializar produtos faz-se essencial.

Ademais, o descontrole no método laboratorial permite caminhos infinitos à ciência. Nesse viés, conforme não há uma cartilha universal para critérios biotecnológicos, o detrimento da homeostase planetária em prol da evolução científica torna-se banal. Assim, o bem-estar ecológico concentra-se, majoritariamente, na decisão de governantes, quase sempre respaldo de uma instituição especializada. Sob essa ótica, a manutenção da produção de soja transgênica pelos países, embora a Organização Mundial da Saúde aponte chances cancerígenas ao corpo humano, reflete bem a problemática da ausência de supervisão da biotecnologia. Logo, uma legislação universal para os cientistas é crucial.

Portanto, ações são indispensáveis para amenizar os conflitos entre a ética e a ciência. Dessa maneira, instituir a obrigatoriedade empresarial de alertar a população sobre os riscos de cada inovação no biotecnológica, por meio de parcerias entre a Organização Mundial do Comércio e os principais blocos políticos - Como o BRICS e a União Europeia - é fundamental no intuito de evitar aquicições inconscientes pela população. Outrossim, a criação de uma cartilha universal da ciência, por intermédio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, é mister a fim de que as pesquisas não sejam prejudiciais. Para isso, é imprescindível no documento a proibição de produções que deteriorizem o equilibrio planetário. Assim, o poder laboratorial de Orphan Black não será realidade.