Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 11/01/2021

A sociedade caminha para a desordem mundial, causada, sobretudo, pela falta de controle do Estado. A afirmação, atribuída ao sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra “Globalização e as consequências humanas”, pode ser facilmente ser aplicada aos desafios para conciliar a biotecnologia e a ética, ao considerar que o enorme avanço da ciência pode ter interferência aquém dos fundamentos norteadores da vida, algo nocivo para a humanidade. Com efeito, há de se deliberar sobre a complacente legislação e a importância da ciência.

É válido pontuar, de início, que a falta de legislação específica mundial é um dos principais desafios da questão. Sob tal aspecto, assim como houve, no cenário de pós-guerra, a criação da Organização sa Nações Unidas para intermediar os conflitos, faz-se impreterível, no contemporâneo, a criação de uma organização mundial capaz de intervir em procedimentos da biotecnologia que possam provocar danos à humanidade. Nesse viés, os assuntos que abrangem a bioética - por envolver toda a raça - devem estar respaldados, dentro de critérios pré-estabelecidos por autoridades, por renomados cientistas. Assim, é incoerente que, mesmo com as relações diplomáticas consolidadas dos Estados, ainda não exista no mundo, uma legislação específica para a bioética.

De outra parte, é inegável que o conhecimento se tornou essencial para a humanidade. A esse respeito, o filósofo ateniense Sócrates declarou que uma vida sem ciência é uma espécie de morte. Nessa visão, a vacina - medicação que promove a imunização em massa - é uma das maiores conquistas da ciência no ramo da saúde, por desencadear a produção de anticorpos, o que representa grande avanço biotecnológico. Por outro lado, como exemplificado, é importante destacar que a principal motivação para aplicar os conhecimentos tecnológicos, devem ser a melhoria da qualidade de vida da população, sem pretensões lucrativas e utilização de técnicas que violem qualquer princípio ético e moral, algo primordial para uma sociedade livre, justa e solidária. Lê-se, pois, como indispensável, o uso da bioética como mecanismo norteador da biotecnologia.

É mister, portanto, que a questão da bioética tenha discussão, a priori, a nível nacional. Para tanto, a mídia - veículo difusor de informação e parte constituinte de formação da opinião dos indivíduos - deve, por meio de entrevistas exclusivas com cientistas da biotecnologia, veicular conteúdos capazes de fomentar o entendimento acerca da temática. Essa iniciativa teria por objetivo elucidar os prováveis empecilhos para o exercício da ciência pautado na ética, de forma que, a sociedade tenha consciência da importância dessa questão e manifeste seu entendimento a respeito. Feito isso, o caos da globalização, tal como denunciado por Bauman, poderá ser mediado pelo conhecimento.