Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 14/01/2021

É fato que a Segunda Guerra Mundial é figurada por processos anti humanitários, ou seja, um cenário inexequível ao que tange a evolução moral da sociedade. Entretanto, ao que condiz a biotecnologia, esse marco foi de expressiva importância, seja pelo desenvolvimento farmacêutico, seja pelo aumento exponencial da produção alimentícia. Desse modo, hodiernamente, ocorre um entrave entre a conciliação da biotecnologia e ética moderna, dado não pela angústia humana à aproximação da singularidade, mas é magnificada pela criação de valores sobrepostos à tecnologia nas ciências naturais.

É indubitável que a questão do receio humano esteja entre as causas desse impasse. Sob esse viés, de acordo com Levi- Strauss, a interpretação adequada do coletivo, ocorre por meio das forças que estruturam as relações pessoais e os eventos históricos. Esse panorama, auxilia na análise do medo humano na evolução da biotecnologia, uma vez que, principalmente, na metade do século XX, essa tecnologia foi marcada pelo sofrimento humano na criação tanto de armamentos quanto de experimentos laboratoriais a fins individuais. Dessa forma, aos indivíduos, em grande parte, a contenção do desenvolvimento biotecnologia representaria uma segurança à humanidade, ao invés de uma contribuição social.

Por conseguinte, esse cenário, consequentemente, conduziu uma sobreposição da ciência pela moralidade em decorrência da cultivação essencialmente da empatia humana. Essa conjuntura, consoante Pierre Bourdieu, configura-se a teoria do Habitus, o qual padrões são dados, naturalizados e, posteriormente reproduzidos. Dessa forma, aos indivíduos estarem naturalizados ao panorama de desvinculação da biotecnologia e negação de experimentos ao que trata-se a biologia, acabam perpetuando e fortalecendo a desvinculação dessa tecnologia pela ética. Contudo, uma mudança de valores é fundamental para transpor barreiras a essa realidade.

Conforme informações supracitadas, ficam evidentes problemáticas à conciliação da biotecnologia e ética, sendo necessário intervenções. Logo, o Ministério Público deve, por meio de conselhos que possam mediar o consenso de ambas áreas, estabelecer projetos biotecnologos junto a moralidade. Outrossim, o Ministério da Educação deve, através de palestras escolares, estabelecer a importância e a contribuição da biotecnologia na contemporaneidade, com o intuito de quebrar valores de relações amensalistas.