Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 06/03/2021

Em sua teoria dos “Movimentos capilares”, o sociólogo Anthony Giddens discute sobre a superficialidade da análise de situações sociais. Nesse sentido, na maioria das vezes, os recursos biotecnológicos - conjunto de técnicas que permitem a alteração do material genético - são analisados de forma superficial, prevalecendo somente as vantagens oferecidas por eles. No entanto, é imprescindível que haja discussões sobre os desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética, que estão presentes tanto na banalização de riscos, quanto na necessidade de obtenção de lucro máximo sem a consideração da garantia de uma vida saudável e segura para a sociedade.

É relevante abordar, primeiramente, o conceito de “Banalidade do Mal”, teorizado pela filósofa política Hanna Arendt, em que é evidenciado a negligência governamental perante problemas sociais que geram consequências negativas. Nesse contexto, os riscos que a Biotecnolgia podem trazer, como por exemplo, problemas de saúde causados pela ingestão de alimentos transgênicos que possuem altas quantidades de substâncias tóxicas, são banalizados, não obedecendo os limites éticos estabelecidos.

Em segunda análise, cabe mencionar a narrativa presente no livro “Ética Protestante e Espírito do Capitalismo”, escrito pelo sociólogo Max Weber, em que é evidenciado que a principal preocupação do sistema capitalista é a obtenção do maior lucro possível a qualquer custo. Nessa perspectiva, é comum que os ferramentas biotecnológicas sejam usadas de maneira irresponsável por conta desse objetivo primeiro de geração de lucro, contradizendo assim o termo “Biopoder”, criado pelo filósofo Foucault, que consiste no poder que garante a vida, desrespeitando também a Ética e, consequentemente, dificultando que a sociedade possua a saúde e segurança adequada para sobreviver.

Infere-se, portanto, que os desafios presentes na conciliação entre Biotecnologia e Ética sejam vencidos. Desse modo, as Secretárias de Segurança Pública - órgão responsável pela garantia da segurança da população de um estado - precisam aumentar a fiscalização da conduta de agricultores por meio da realização de visitas periódicas nas áreas de cultivo com a finalidade de prevenção do uso indiscriminado de substâncias que acarretam problemas de saúde. Além disso, o Congresso Nacional deve aprovar projetos de lei criados por deputados que visem a potencialização das regras éticas dos conselhos profissionais de Medicina, Biomedicina e Agronomia, aumentando também as punções em caso de desvio de norma, a fim de diminuir a incidência de consequências negativas pelo emprego de recursos biotecnológicos. Feito isso, gradativamente, essa tecnologia poderá oferecer mais vantagens do que desvantagens pelo alcance de uma relação harmônica com os princípios éticos.