Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 26/04/2021

No livro “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, é retratado um futuro distópico em que humanos são gerados em tubos de ensaio para fazerem parte de uma classe social pré-determinada. Nesse contexto, indivíduos destinados às classes mais altas são gerados de modo a serem mais inteligentes, ocorrendo o oposto aos destinados às classes mais baixas. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Huxley pode ser relacionada com as inovações biotecnológicas que ocorrem no mundo atual: cada vez mais, tais tecnologias contrariam questões éticas quando se trata de situações como a criação de humanos geneticamente modificados, e a possibilidade de escolha das características físicas de um filho, antes dele nascer.

Nessa perspectiva, cabe analisar que mudanças no genoma humano ameaçam gravemente a ética humana, visto que por meio delas, torna-se possível a criação de humanos intelectualmente superiores, podendo causar um grande desequilíbrio na harmonia de qualquer sociedade. Nesse sentido, segundo o documentário “Explicando”, o ser humano já possui todas as tecnologias necessárias para desenvolver aprimoramentos em seu genoma, sendo a ética a única barreira restante para que isso não ocorra. Em virtude disso, fica clara a grande ameaça que tal atividade apresenta à convivência do homem em sociedade, visto que ações como essa já são possíveis.

Além disso, outra inovação biotecnológica que desafia questões éticas é a possibilidade de pais escolherem a fisionomia de seu filho, antes mesmo dele nascer, contribuindo para a ideia de superioridade de determinadas características físicas. Tal atitude pode ser facilmente comparada com a Alemanha nazista, visto que definir certos aspectos fisionômicos como superiores é exatamente o que ocorria nesse país durante esse período, o qual afirmava que a raça ariana era superior a qualquer outra. Com isso, torna-se visível o quão ameaçada se encontra a ética em relação a essas novas tecnologias.

Portanto, fica evidente que as atuais inovações biotecnológicas contrariam a ética humana. Por isso, torna-se necessário que o Governo, instância responsável pelas políticas públicas voltadas à população, fiscalize com maior intensidade a realização de experimentos ilegais relacionados ao corpo humano. Tal medida se dará por meio do envio de maiores licitações a tal atividade, a fim de que a ética seja preservada. Somente assim, a realidade apresentada por Huxley em “Admirável mundo novo” continuará existindo apenas na ficção.