Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 01/06/2021

A série televisiva “Orphan Black” narra a história de mulheres que viviam uma vida normal até descobrirem que eram clones e, por causa disso, terem sua existência ameaçada por organizações dedicadas a “evolução” humana. Não distante da ficção, nos dias atuais, existem grandes desafios para que o avanço da biotecnologia seja feito com base na ética, uma vez que nem todas as instituições comerciais valorizam princípios morais ao planejar seus produtos e serviços, fato esse decorrente da pouca importância dada a tal tema pela sociedade contemporânea.

Nesse contexto, é perceptível que uma grande parte das empresas não tem como prioridade a manutenção de valores éticos, responsáveis por promover liberdade, justiça e dignidade. Isso é verficado pela existência de inúmeras companhias que submetem seus trabalhadores a condições análogas à escravidão e que lucram em cima da exploração animal - a exemplo da indústria da carne e do leite. Sob essa ótica, as corporações atuais, seguindo a lógica neoliberal e visando, acima de tudo, o lucro, representam um risco ao desenvolvimento íntegro e confiável da biotecnologia, visto que, para estas, mais importante que o progresso científico responsável, é o acúmulo de capital. Assim, não é razoável que se almeje o crescimento do ramo biotecnológico antes de os princípios bioéticos serem plenamente estabelecidos.

Ademais, outro fator a salientar é a falta de conhecimento da população no que tange aos limites éticos da ciência. Com o advento da Terceira Revolução Industrial, nota-se uma sociedade cada vez mais rodeada de tecnologias, porém, despreparada para lidar com elas. Nesse sentido, o fato de os meios de informação, sejam instituições de ensino, seja a grande mídia, não fomentarem a discussão, impede que os indivíduos criem a consciência de que, da mesma forma que a biotecnologia pode servir para o bem - na produção de remédios e na fertilização in vitro -, ela também pode ser vir para o mal - na produção de armas biológicas e na geração de “super-humanos”.

Portanto, há de se buscar alternativas para conciliar a biotecnologia e a ética. Para tanto, as escolas devem promover o debate sobre as possíveis consequências do uso incorreto das novidades científicas, por meio da inserção da bioética à ementa das disciplinas de biologia e filosofia, com intuito de incentivar a reflexão acerca do tema nas primeiras fases da vida, viabilizando a formação de opinião dos alunos. A estes, um dia a frente das grandes organizações, cabe repensar e reformular os valores a serem seguidos, a fim de se manter um trabalho biotecnológico transparente, humano e honesto. Feito isso, os conflitos vivenciados na série não se tornarão realidade.