Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 06/07/2021
A série “Biohackers”, exibida pela Netflix, demonstra as potenciais implicações da biotecnologia e louva a facilidade de acesso a esse ramo. Entretanto, é evidente que o potencial revolucionário dessa forma de manipulação genética vai de encontro às regras morais estabelecidas pelo corpo social. Com efeito, cabe analisar os desafios para a conciliação da biotecnologia e da ética, a saber, a produção dos alimentos transgênicos e a interferência humana no processo evolutivo.
A princípio, é válido ressaltar que o consumo de alimentos modificados em laboratório é prejudicial à saúde da população. Diante desse cenário, o conceito de “cordialidade” - criado pelo escritor brasileiro Sérgio Buarque de Holanda - retrata sobre o ato de favorecer o benefício próprio em detrimento do bem-coletivo. Nesse viés, é evidente que o uso da biotecnologia é benéfico para o lucro monetário dos grandes produtores, uma vez que resulta numa maior produtividade, mas deriva em malefícios para uma coletividade saudável. Assim, enquanto a “cordialidade” for a regra, o bem-estar da nação será a exceção.
Nesse contexto, o biólogo Charles Darwin afirmou que a evolução das espécies se da por um processo denominado “Seleção Natural”, no qual somente os organismos mais adaptados ao ambiente são capazes de perdurar por gerações. Contudo, a partir da manipulação gênica, os humanos passaram a modificar as características inerentes aos indivíduos, o que burla o sistema evolutivo da natureza e destoa da ética - a exemplo das diversas raças de cachorros criadas artificialmente, como o Pug.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para superar esses desafios. Dessa forma, é imperioso que o Estado - enquanto entidade de maior poder público - tome atitudes para regular a produção de alimentos transgênicos, por meio de leis que punam os produtores “cordiais”, a fim de conciliar a ética com a biotecnologia e preservar a saúde dos cidadãos. Outrossim, é fundamental que haja debates, nas comunidades, a respeito da criação de espécies artificiais e a proteção da descoberta de Darwin.