Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 20/08/2021
Conforme Jean-Paul Sartre, importante filósofo e crítico francês, viver é ficar o tempo todo se equilibrando entre escolhas e consequências. Ao traçar um paralelo com essa temática, observa-se a dicotomia hodierna no que tange aos obstáculos presentes na conciliação da biotecnologia e a ética. Sob essa ótica, tal cenário se reverbera no contexto brasileiro através de complexas barreiras alicerçadas no cotidiano: a objetificação social e a perpetuação da ciência desumanizada.
De início, vale ressaltar a lógica mercantilista associada às relações interpessoais como um empecilho ao consenso entre ciência e as normas morais. Nesse aspecto, é lícito dizer que a perspectiva mercadológica corroborra impactos na esfera social, uma vez que reproduz métodos que vão de encontro aos valores e a cultura da massa social. Prova disso é a terapia gênica, procedimento realizado e regulado pela biotecnologia, que visa o melhoramento genético e interfere de maneira invasiva na constituição natural do indivíduo. Nessa senda, alguns profissionais se valem do lucro advindo de tal atividade em detrimento das normas da bioética individual, perpetuando a objetificação dos pacientes.
Outrossim, refere-se à prática de uma ciência insensível, a qual impede o equilíbrio entre a engenharia genética e os princípios morais. De acordo com o físico Albert Einstein, é espantosamente óbvio como a tecnologia excedeu a humanidade. Sob esse olhar, cabe enfatizar que a modernização das ciências naturais excedem o universo mais humano, em que o saber empírico e tecnicista desconsidera as variáveis e opniões que circudam os indivíduos. Desse modo, torna-se claro que a adoção de uma planejamento mais eficiente e equilibrado da ciência - tanto no campo prático, como no social - , trará possibilidades mais paupáveis do exercício da biotecnologia aliada à ética.
Portanto, infere-se a necessidade de mudança urgente nos setores sociais e institucionais. Para tanto, compete ao Ministério da Educação, mediante às universidades e repartições, a promoção de palestras - ministradas por meio de médicos e cientistas - aos cursos de saúde, promovendo o debate e a conscientização acerca de uma ciência mais empática e humanizada. Com efeito, essa ação tornará possível não só o conhecimento da comunidade acadêmica, mas também a preparação eficiente de futuros profissionais - conforme os princípios afirmados por Sartre.