Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 31/05/2022
É sabido que a evolução da ciência biotecnológica trouxe muitos benefícios para a sociedade atual, ao desenvolver as vacinas e antibióticos que salvam a vida de milhões de pessoas, por exemplo. Entretanto, essa é uma área da ciência que está em constante progresso, podendo se desenvolver mais rapidamente do que a Ética pode acompanhar. Isto é, tecnologias como ferramentas de invasão genética, clonagem, entre outros podem causar sérias consequências sociais e ambientais se não tiverem seus usos limitados por princípios morais e éticos que precisam ainda ser discutidos, por se tratarem de descobertas inéditas para a humanidade.
Primeiramente, é importante ressaltar que um dos campos de maior interesse da biotecnologia é o da genética, sendo esse, principalmente, um dos tópicos mais sensíveis ao se tratar da Ética. Nesse sentido, o desenvolvimento do sistema CRISPR-cas9 de edição genética pode ser um exemplo de tecnologia que entra em conflito com princípios éticos sociais, por exemplo. Sob esse viés, essa tecnologia, que permite a edição do material genético de qualquer espécie, inclusive de seres humanos, tem a habilidade de, potencialmente, poder alterar características fenotípicas de embriões que ainda irão nascer. Desse modo, se não for controlada por princípios morais, pode haver uma progressiva hegemonia étnica que irá aumentar o preconceito.
Em segundo plano, a manipulação genética também pode criar danos ambientais, ao interferir na seleção natural e modificar diversos ecossistemas e até extinguir certas espécies de plantas, como os cada vez mais comuns alimentos transgênicos, que são cada vez mais modificados para se adequarem a grande demanda de produção alimentícia atual.
Portanto, deve-se haver um exponencial aumento da discussão sobre a bioética em todo o mundo, por meio da criação de reuniões e palestras internacionais - com a consulta de especialistas das determinadas áreas - por parte da UNESCO, para que assim as linhas morais e éticas com relação à biotecnologia fiquem bem delimitadas e garantam o progresso da ciência, mas sem ferir os direitos humanos.