Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 12/09/2022
A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade cujo corpo social padroniza-se pela ausência de questões. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea opõe-se àquilo idealizado pelo escritor, uma vez que há o impasse para a conciliação da biotecnologia e a ética. Isso ocorre tanto pelas consequências advindas das novas tecnologias biológicas quanto por essa ação contradizer os dogmas religiosos da maioria dos cidadãos. Dessa forma, necessita-se do debate desse tema a fim de conciliar a ética e a biotecnologia aplicada.
Primeiramente, os riscos do desenvolvimento biotecnológico entravam o avanço desse. Ao somar a já atual utilização de seres vivos para fins destrutivos, como o uso da bactéria antraz como arma química, junto da capacidade tecnológica de desenvolver seres geneticamente modificados, mais eficientes e resistentes, nota-se o motivo do debate ético sobre o tema. Ora, o grande potencial destrutivo que a tecnologia biológica provoca a preocupação moral. Por isso, o desenvolvimento biotecnológico implica o debate da segurança processual.
Ademais, a questão religiosa impulsiona ainda mais os conflitos ético-biotecnológicos. Segundo dados disponibilizados pelo IBGE, cerca de 80 % da população brasileira segue religiões consideradas conservadoras, capazes de interpretar a intervenção humana na biologia como um pecado, ou seja, algo inviável. Nesse sentido, a ascensão de debates éticos sobre a realização de ações como a clonagem ou a criação de transgênicos possui, pelas características do corpo social, certa resistência de cunho religioso. Com isso, considera-se que há preconceito da população contra o desenvolvimento biotecnológico no país.
Visto isso, fica claro a necessidade de mudanças. Portanto, o Ministério da Segurança Pública, órgão responsável por assegurar a integridade dos cidadãos, deve criar medidas protetivas, por meio de investimentos públicos e privados, para que não haja riscos do uso da biotecnologia com fins danosos e, dessa maneira, inibir esse argumento do debate ético.Cabe, também, ao corpo social brasileiro dissociar as noções religiosas individuais de questões coletivas. Assim, os desafios para conciliar a ética e a biotecnologia serão superados e as ideias de More estarão mais próximas de se concretizarem.