Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 11/10/2023

De acordo com o livro “Admirável novo mundo” de Aldoux Huxley, é retratado uma sociedade onde as pessoas são criadas em laboratório e adestradas para seguir um sistema de castas. De maneira análoga, com o avanço da medicina e genética são encontrados desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética. Nesse sentido, a promoção de ideias eugenistas e a criação de seres-humanos modificados agravam essa situação.

Nessa perspectiva, é válido destacar que a seleção de características colabora com esse cenário. Conforme o filme norte-americano “Gattaca” é retratado um cenário futurístico no qual seres humanos são escolhidos geneticamento a partir de suas qualidades. Contudo, no atual cenário isso é proibido por lei, visto que a seleção de características dos filhos como a cor dos olhos, cor da pele e outros traços é considerada racista e eugenista. No entanto, se essa tecnologia for utilizada por poderes ditatoriais e preconceituosos, como o Neonazismo pode gerar diversos problemas e o uso irresponsável da biotecnologia.

Além disso, a criação de seres humanos alterados geneticamento contribui com essa problemática. Segundo o livro “Homo Deus” de Yuval Noah Harari, é evidenciado que a medida em que a biotecnologia avança uma nova espécie de “Homo” surgirá, com características como a amortalidade, ou seja, a morte apenas acontecerá a partir de um acidente, porém não naturalmente. Por outro lado, esse avança traz diversos problemas que devem ser pensados, como o monopólio dessa tecnologia para os mais ricos, assim como acontece com as viagens espaciais, em que os primeiros civis contemplados com essa tecnologia foram os bilionários.

Portanto, ao analisar a promoção de ideias eugenistas e a criação de seres humanos modificados, pode-se perceber que elas dificultam a erradicação do problema. Em virtude disso, o Ministério da Tecnologia e Inovação deve regulamentar a biotecnologia no Brasil, com a elaboração de um projeto de lei específico e que proiba alterações genéticas em seres humanos, para impedir ideias racistas ou que busquem alterar o DNA humano. Dessa forma, o país poderia superar o problema e o livro “Admirável novo mundo” ficará apenas na ficção.