Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 28/08/2019

Universidade do capitalismo

As universidades públicas brasileiras, bem como as cotas estudantis e os financiamentos estatais em cursos de instituições privadas, representam um grande avanço de inclusão socioeconômica no país. Todavia, por fatores dentre os quais destacam-se a falta de recursos e assistência e a dificuldade de conciliação entre estudos e trabalho, o abandono das vaga tem sido comum e crescente desde o ano de 2017, de acordo com o Censo de Eduação Superior. Dessa forma, mostra-se necessário discorrer sobre os desafios para a diminução dos índices de evasão universitária no Brasil.

Segundo Émile Durkheim, famigerado sociólogo francês, a sociedade é coerciva e influenciadora do indivíduo. Sua teoria aplica-se à questão apresentada na medida em que, na sociedade capitalista do século XXI, a situação econômica influencia a vida do indivíduo em sua quase totalidade; por conseguinte, o universitário depende desses recursos financeiros para manter-se como estudante. Contudo, o Estado brasileiro não disponibiliza essa assistência , o que ocasiona a desistência anual de quase 28% dos universitários, conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Outrossim, ainda sob a óptica da coercividade durkheimiana inserta na sociedade capitalista, observa-se a necessidade do universitário em relação ao trabalho para que possa sustentar-se. Entretanto, a conciliação entre estudos e trabalho é extremamente complexa, visto que a carga horária torna-se exorbitante e nenhuma das duas atividades pode ser desenvolvida propriamente. Consequentemente, a evasão apresenta-se como viável ao estudante, para que seu trabalho e renda não sejam perdidos.

Portanto, é imprescindível que o Governo Federal disponibilize recursos e assistência aos estudantes de baixa renda das redes pública e privada, por meio da concessão de auxílios financeiros à moradia e à alimentação, de modo a reduzir o abandono de vagas universitárias por motivos econômicos. Ademais, é importante que o Ministério da Educação (MEC) possibilite a conciliação entre estudos e trabalho de forma realista, através da permissão para flexibilização da carga horária universitária perante necessidade comprovada, com o objetivo de aliviar a rotina do estudante que trabalha. Com tais medidas, os desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil serão amenizados.