Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 29/08/2019

O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível à coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais favorecem à evasão dos universitários, interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, à dificuldade dos alunos em arcar com o financiamento dos cursos, além de obstáculos para a integração coletiva nas escolas de instrução superior. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.

Em verdade, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Sob esse prisma, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Nesse ínterim, denota-se que boa parte dos estudantes não obtém, mormente, a condição financeira para a permanência nos cursos, haja vista o governo não ampliar o subsídio estudantil com bolsas de estudo e empréstimos, o que, por sua vez, torna as universidades uma ferramenta inviável para a formação dos indivíduos. Tal realidade comprova-se por dados do Panorama do Ensino Superior Privado, o qual demonstrou um aumento em 23% da evasão de alunos em faculdades privadas de 2011 a 2016. Por conseguinte, essa conjuntura corrobora para a marginalização social dos discentes, a julgar que a baixa renda impede a inserção destes na educação superior.

Cabe salientar, outrossim, que conforme o sociólogo Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade sem ela, tampouco a sociedade muda. Em face disso, ressalta-se a dificuldade, comumente, da inclusão social de alunos especiais nas organizações de ensino, a considerar o déficit de materiais específicos para atender esse grupo, além da falta de professores capacitados. Sob esse viés, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprovou que 61,6% das pessoas com deficiência e acima de 15 anos não possuem instrução ou contam apenas com o ensino fundamental. Dessa forma, o conteúdo da equidade social para tal contingente perpassa o direito geral à igualdade, tendo, especialmente, importância para propiciar a integração dos indivíduos ao ensino.

Urge, portanto, que, diante dos desafios da evasão nas universidades, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Estado, em consonância com o Ministério da Educação, oferecer auxílio financeiro aos cidadãos, por meio de empréstimos a longo prazo e a ampliação de bolsas de estudo com a isenção de custos, com o escopo de impedir a fuga das pessoas carentes dos centros universitários. Ademais, compete à escola, realizar fóruns de discussão pedagógica, na intenção de elaborar um programa de socialização com a inserção de materiais didáticos e docentes capacitados para as pessoas especiais. Logo, a coesão de Durkheim será real.