Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 27/08/2019
O fenômeno da evasão universitária pode ser entendido relevantemente como o desligamento do aluno do sistema de ensino superior, que emerge do choque de realidades entre estudante e universidade. Nesse sentido, esse choque surge em alunos de classe baixa como uma expressão da desigualdade econômica sistêmica. Com base nessas observações, propõe-se debate institucional sobre modos de reduzir a evasão através da modificação mútua do habitus universitário e dos educandos.
No entanto, faz-se necessário notar que, para Pierre Bordieu, o habitus, as práticas e paradigmas sociais específicas de grupos, é adquirido na socialização e define os ambientes que o sujeito é apto para interagir. Assim, se a cultura universitária não está disposta a transpor seu habitus, a democratização do ensino é impossível. Logo, não é suficiente que alunos menos privilegiados apenas recebam apoio econômico adequado, mas também que a universidade se adapte a realidade dos seus vários alunos. Em corroboração à diferença de realidades aluno desistente – universidade, a docência das instituições é moldada e gerida por pessoas cujo habitus é originário das classes média alta e alta, tornando-a desfavorável para disposições divergentes – consequentemente gerando sentimentos de inadequação à universidade. Não obstante, a inexistência de apoio específico torna improvável a permanência de alunos desprivilegiados. Cabe, portanto, à reitoria das universidades torná-la mais receptiva aos alunos de classe baixa, através da criação de centros de desenvolvimento social, onde receberão orientação psicopedagógica, profissional e pessoal, de forma a melhor adequar o discente à cultura universitária, a fim de minimizar o choque de realidades, coibindo a evasão.