Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 30/08/2019

A evasão de alunos no ensino superior cresce a cada ano, atingindo taxa de desistência de 25% dos ingressantes, segundo o Instituto Lobo. Dado o exposto, torna-se inquestionável a necessidade de minimizar essa adversidade, que possui como principais causas a falta de experiência dos estudantes no ato de escolher uma graduação e as dificuldades econômicas enfrentadas por eles.

A princípio, a negligência dos colégios de ensino médio em assistir os discentes na escolha da profissão junto com a influência do meio social que incentiva-os a seguir determinados cursos colaboram com a  egressão universitária. De acordo com o sociólogo Karl Marx, a produção material de uma sociedade é um dos fatores determinantes da sua organização política, social e intelectual. Nesse viés, pode-se afirmar que o modelo econômico atual, o capitalismo, promoveu a mercantilização da educação, de forma que as instituições de ensino e a sociedade preocupam-se mais com o número de aprovados em cursos que são financeiramente valorizados, como medicina, direito e engenharia, que com a satisfação pessoal dos aluno. Dessa forma, tal prática colabora com a evasão nas faculdades por gerar, na maioria das vezes, a insatisfação dos graduandos.

Além disso, a questão monetária é outro fator que inviabiliza a conclusão do curso superior dos estudantes que pertencem às classes mais pobres. É de conhecimento público que os Institutos e Universidades Federais foram criados para assegurar o aprendizado gratuito garantido pela Constituição dos país. Contudo, tais corporações, que se localizam nos centros urbanos, tornam-se ínvias aos indivíduos de classes mais baixas, por não terem condições financeiras para se manter. Assim sendo, boa parte da população que migra para o tecido urbano sujeita-se a trabalhar em tempo integral para conseguir sobreviver, e, por isso, dificilmente consegue conciliar tal rotina com os estudos por muito tempo.

Urge, portanto, que o Ministério da Educação contrate psicólogos nas escolas de ensino médio, os quais devem realizar testes vocacionais e consultas gratuitas com o corpo estudantil, a fim de orienta-lo com a escolha do curso. Além disso, esses especialistas junto com o corpo docente devem promover palestras  e eventos sobre diversos empregos ao longo do ano, com intuito de permitir o contato direto dos futuros profissionais com as diversas faces do mercado de trabalho. Dessa maneira, os estudantes estarão preparados para optar por um curso superior de acordo com suas aspirações e habilidades, e diminuirão, assim, a evasão universitária.