Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 03/09/2019

Na perspectiva de Thomas Marshall, uma vez conquistados os direitos civis e políticos vivemos a “Era dos direitos sociais”. É diante do exposto que a discussão acerca do direito à educação é inserida, uma vez que o oferecimento de oportunidades para o ingresso universitário é recorrente. Todavia, apesar da inserção estudantil no mundo acadêmico, a negligência quanto a formas de conservar alunos no ensino superior é o cerne da evasão universitária, já que há a falta de apoio estudantil. Sendo assim, a ausência de assistência acadêmica, aliada à difícil comunhão dos estudos com demais tarefas, é o principal alvo para a superação desse cenário.

Em primeiro lugar, à medida que houve a rápida democratização do acesso às universidades, também houve o descaso perante o apoio estudantil. Segundo dados do G1, nos últimos 15 anos, a ampliação de programas para inserção de alunos no ensino superior foi significante para o aumento da rede universitária. Entretanto, apesar da melhoria do acesso à faculdade, o descompromisso inicial com formas de manter tais alunos na universidade foi o principal ponto para fuga estudantil brasileira, já que a falta de condições financeiras para bancar os estudos é realidade de muitos alunos. Ou seja, é comum que a crise do ensino superior seja reflexo do mal planejamento técnico, haja que não foram elaborados auxílios universitários.

Em segunda instância, frente à falta de apoio acadêmico, a difícil comunhão entre o ensino e o trabalho amplia tal cenário. De acordo com Durkheim, a realidade do meio e os fatores externos coagem o indivíduo a buscar alternativas no trabalho. É analogamente a tal perspectiva que a realidade de muitos estudantes, na tentativa de suprimirem as despesas da vida adulta, força a busca laboral, que, por sua vez, é empecilho para a continuação da vida acadêmica. Evidentemente, o trabalho precoce, como forma de subsistência, impede o ciclo universitário, tendo em vista que a maioria dos alunos não consegue equilibrar ambas tarefas no cotidiano.

Em suma, evidencia-se que apesar da maior inclusão universitária, a falta de planejamento e apoio estudantil é o cerne do cenário de evasão acadêmica. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, por intermédio dos Ministérios da Educação e da Tecnologia, criar o projeto “EDUTEC”. Nele, deve haver mediante a criação de um fundo estudantil, o apoio financeiro a universitários, a fim de garantir a continuação do ensino destes. Ademais, o mesmo deverá, por meio de parcerias com a rede privada, firmar negociações e subsidiar o trabalho prático e pedagógico, por intermédio de pesquisas, com intuito de oferecer melhores condições de subsistência a estudantes. Portanto, por via dessas diretrizes educacionais, ratificar de fato a “Era dos direitos sociais” no Brasil.