Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 31/08/2019
O Brasil sempre foi um país que esteve à margem dos níveis educacionais estabelecidos internacionalmente como aceitáveis. Há vários fatores que contribuem para isso, os quais vão desde os relacionados à educação básica até os atrelados ao ensino de pós-graduação e às oportunidades pós-formação. Porém, é de se destacar um daqueles: a evasão no ensino superior. Sua contribuição no fraco desempenho da educação brasileira deve ser, portanto, analisada.
Inicialmente, é importante frisar o mais óbvio contribuinte dessa estatística: dificuldade econômica. Segundo o Ministério da Educação, em 2015, mais de 40% dos estudantes de ensino superior dependiam de bolsas para serem capazes de arcar com os custos das mensalidades. Esse aspecto representa uma realidade que aflige vários países (até mesmo os desenvolvidos). No Brasil, é apenas um reflexo da situação socioeconômica precária a que o País, ao longo de sua história, quase sempre esteve submetido.
Como segundo aspecto - mas, a despeito da ordem de apresentação, provavelmente muito mais importante na contribuição à evasão universitária e diretamente responsável pelo primeiro aspecto -, há o peso de fatores culturais: no Brasil, assim como em muitos outros países, a educação é vista como algo a ser deixado para segundo plano, ou, em alguns casos, que nem deve ser objeto de preocupação por parte do jovem. É frequente, em basicamente todos os ramos socioeconômicos da sociedade brasileira, afirmações que criticam aqueles que priorizam a educação em detrimento de outros caminhos na vida, bem como frequentes ações midiáticas que beatificam um estilo de vida boêmio, ao mesmo tempo em que o estilo de vida acadêmico é pouco ou nada exposto nas mídias massivas. Tais casos são meramente reflexos da cultura antieducação presente na sociedade brasileira.
Dessa maneira, para reduzir a excessiva evasão no ensino superior brasileiro, é primordial garantir bolsas de ensino aos educandos mais pobres: caberá ao Ministério da Educação propor emenda constitucional ao Congresso que torne as bolsas de ensino inalcançáveis por quaisquer contingenciamentos ou diminuições de orçamento, atenuando, dessa forma, os problemas financeiros que muito contribuem para a dita evasão. Além disso, o mesmo Ministério deverá alterar a base curricular do ensino básico de maneira a priorizar o ensino de valores relacionados à promoção da educação, a fim de que, com o tempo, os jovens tenham incutido em suas cabeças uma cultura menos nociva ao ensino e que a propaguem, ao envelhecer, aos demais setores da sociedade.