Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 04/09/2019
Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, implantado o processo de modernização do país, foi criada a primeira universidade do território nacional, na Bahia. Nessa perspectiva, passados mais de 200 anos, e dada a aparente maturidade do sistema de ensino brasileiro, os altos índices de evasão universitária tornam-se alarmantes. Em suma, a persistência dessa problemática deve-se à difícil conciliação entre estudos e trabalho enfrentada por parcela da população do Brasil, agravada pela inação do Governo quanto ao cumprimento das suas incumbências.
Decerto, a sociedade brasileira é marcada por relações hostis de trabalho. Assim, sua configuração pós Lei Áurea, assinalada pela aglomeração dos ex cativos nas periferias das cidades, contribuiu com um quadro de perpetuação da pobreza. Nesse viés, visto que, conforme o Ministério da Educação, o abandono dos cursos de graduação entre negros – população predominante nas áreas desabastadas – supera em cerca de 1,3 vezes o número de desistentes brancos, nota-se a tenacidade da realidade social do século XIX. Dado o exposto, percebe-se que, sobretudo nas regiões carentes, a necessidade da obtenção de renda acaba por impossibilitar a consonância entre faculdade e trabalho.
Faz-se mister, ainda, salientar a lentidão judicial como impulsionadora do problema. Consoante o artigo 3 da Carta Magna de 1988, é dever do Estado assegurar um país livre e justo. Por conseguinte, as disparidades sociais brasileiras, fator entre os responsáveis pelo abandono universitário, denota a ineficiência do Judiciário. Dessa forma, a ausência de políticas de erradicação da pobreza, bem como de incentivo à conclusão de cursos em andamento, acaba por perenizar esse cenário.
Portanto, torna-se evidente a premência de uma tomada de medidas que solucionem o impasse. Desse modo, o Poder Judiciário deve promover políticas públicas de incentivo à educação, como por exemplo, programas de ajuda de custos. Destarte, pode-se amenizar as desigualdades sociais, e, por consequência, estimular a permanência nas universidades. Ademais, como já dizia o economista francês Robert Turgot, o princípio da educação é pregar com exemplo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir nas faculdades, a criação de postos de trabalho remunerados destinados aos alunos, a fim de ampliar o tempo de permanência deste nas respectivas instituições e possibilitando a continuidade do curso. Assim, efetiva-se o curso da modernização empreendida por Dom João VI.