Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Desde que a sociedade brasileira tornou-se majoritariamente urbana, no século XX, e a expectativa de vida aumentou exponencialmente, o mercado de trabalho exige cada vez mais pessoas qualificadas e com boa formação acadêmica, em virtude da grande competitividade entre os profissionais. Entretanto, na atual conjuntura do país, o número de jovens que abandonam os cursos superiores acarreta em altos índices de evasão universitária. Logo, é imperioso refletir sobre os fatores que estimulam o aumento de tais índices e, desse modo, propor soluções que atenuem a problemática.

Em primeira análise, a precariedade do aprendizado no ensino básico brasileiro gera jovens despreparados para a universidade. Segundo Pierre Bourdieu, filósofo que formulou a teoria do habitus, a sociedade possui padrões comportamentais que são enraizados e perpetuados por indivíduos imersos nela. Sob essa perspectiva, observa-se que os jovens estudam apenas a fim de obterem nota suficiente para avançarem de série e se formam sem um aprendizado sólido, sendo esse comportamento reproduzido pela grande maioria dos estudantes. Assim, quando são aprovados na faculdade, eles se deparam com um sistema que requer um alto nível de desempenho e aprendizado concreto, o que desestimula esses jovens. Dessa forma, eles deixam os cursos superiores e contribuem para o aumento da evasão universitária.

Somado a isso, inúmeros estudantes que necessitam trabalhar para o próprio sustento facejam dificuldades para conciliar essa rotina com os estudos. Nesse sentido, apesar da política de cotas ter fomentado a entrada de estudantes de baixa renda nas universidades brasileiras, a questão financeira ainda é um empecilho para eles. Diante disso, de acordo com uma pesquisa do jornal datafolha, quase metade dos jovens que não possuem renda suficiente e que estudam em universidades trabalham para se manterem no local onde vivem. Dessa forma, o desgaste físico e mental desses indivíduos que não possuem auxílio econômico e não conseguem se dedicar exclusivamente ao curso superior induz ao abandono desse.

Evidencia-se, portanto, que alternativas são necessárias para mitigar os problemas expostos. Primeiramente, é essencial que as escolas, juntamente com o Ministério da Educação, promovam o estímulo ao estudo de qualidade, por meio da criação de disciplinas relacionadas ao funcionamento do cérebro em relação ao aprendizado, com o intuito de formar estudantes mais capacitados academicamente. Além disso, é dever do Estado fornecer suporte aos estudantes de baixa renda, recorrendo a programas de bolsa estudantil, para que esses possam progredir em seus estudos e disputar, igualmente, uma vaga no competitivo mercado de trabalho do século XXI.