Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 19/09/2019

No início do século XX, ingressar no ensino superior era realidade apenas de jovens provenientes de famílias ricas, sendo um meio segregador e elitizado. No entanto, com a inserção de políticas públicas de assistência estudantil, hodiernamente, uma parcela maior da sociedade consegue ter acesso às universidades brasileiras. Todavia, existem impasses que dificultam a permanência desses estudantes nas instituições de ensino. Pois, os óbices na aplicação dessas políticas na rede pública  e os altos juros de financiamento na rede privada somados a falta de orientação vocacional durante o ensino médio contribuem para que os estudantes não permaneçam na graduação. Esse cenário é um agravante a ser resolvido não apenas pelo poder público, mas também por toda a sociedade.

Em primeiro lugar, é importante destacar a ineficiência estatal com as políticas de assistência estudantil e o impacto na vida dos universitários. Pois, com o contingenciamento de verbas nas federais, o Programa Nacional de Assistência Estudantil é alvo de cortes, e em muitos casos, esse é o único meio que o estudante possui para, por exemplo, conseguir se locomover até a universidade e comprar os materiais necessários para seu estudo, de acordo com matéria publicada pelo portal G1. Além disso, na rede privada de ensino, os juros que acompanham os financiamentos estudantis também contribuem para a manutenção dos altos índices de evasão universitária no Brasil.

Somado a isso, há também a falta de orientação vocacional no decorrer do ensino médio. Dessa forma, ao ingressar no ensino superior, o estudante por não ter sido direcionado a uma área de carreira a partir do seu interesse, entra em conflito com o curso escolhido por não se identificar naquela área do conhecimento. Por conta disso, abandona a universidade, muitas vezes, frustrado por não ter uma direção de carreira. Além disso, gera gastos à universidade, pois, segundo dados do Ministério da Educação, o gasto médio por aluno é cerca de 3 mil reais ao mês. Visto isso, é necessário que medidas sejam tomadas para mudar tal cenário, pois, segundo a máxima de Kant :’’ O homem é aquilo que a educação faz dele’’, a educação é o alicerce social e deve ser priorizada como tal.

Dado o exposto, é necessário que o Estado tome providências para atenuar tal quadro. Para isso, urge que as secretarias de educação por meio de verbas com arrecadação de impostos, ampliem os programas de assistência estudantil em cada município, de modo a assegurar que os benefícios de auxílio estudantil nas universidades não sejam afetados pelos contingenciamentos federais. Também, que o MEC insira na grade escolar cursos de orientação profissional durante o ensino médio, com aulas de campo e palestras com profissionais de várias áreas, a fim de, direcionar os estudantes em suas profissões. Somente assim, será possível combater o impasse de forma precisa e democrática.