Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 18/09/2019

O filme “Entre os muros da escola” questiona o atual modelo tradicional de educação, apontando a desigualdade vivenciada nas instituições de ensino por pessoas de diferentes realidades socioculturais, a qual se baseia em um sistema educacional defasado que ainda gera atrito entre os indivíduos. Nesse contexto, observa-se que o padrão educacional vigente na trama se assemelha aos moldes brasileiros de educação, uma vez que se presencia uma renúncia dos jovens quanto ao âmbito acadêmico devido à falta de inclusão social e o quase inexistente suporte vocacional durante o período colegial.     Primeiramente, é importante acentuar que, em razão da negligência das escolas superiores no que tange o suporte aos grupos minoritários, a exclusão social é um dos principais causadores da evasão acadêmica no Brasil. No filme “Escritores da liberdade” uma professora mostra como a realidade social influencia no contexto escolar, relacionando problemáticas como racismo e desigualdade social com o processo de aprendizagem, com base nisso fica fácil entender o porquê das significativas taxas ao que se refere a integração de estudantes em vulnerabilidade social. De acordo com o IBGE, a USP tem apenas 15% de negros no seu corpo estudantil, fato esse que denota as dificuldades dos institutos em dispor de referências para criar um ambiente universitário receptivo e atraente, capaz de conservar os seus estudantes e de se distanciar da realidade trazida pelo filme “Entre os muros da escola”.   Outrossim, presencia-se uma escassez de instruções acerca do papel das escolas em auxiliar os estudantes na escolha de sua profissão. Em consequência disso, há uma fácil desistência dos mesmos ao entrar no ambiente universitário, por não terem sanado suas dúvidas ou reconhecido seus interesses, sendo muitas vezes condicionados a escolher algo fruto de uma pressão social. De acordo com os dados divulgados pelo Inep 56% dos discentes que ingressaram em uma faculdade desistiram ou trocaram de curso no meio da graduação, dado esse que comprova a importância de não desprezar a escolha consciente de uma profissão e o desenvolvimento de uma boa perspectiva profissional.     Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para contornar as barreiras criadas pela falta de amparo e pela inclusão social, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) ofereça programas que apresentem aos alunos as opções existentes no mercado de trabalho a fim de proporcionar uma descoberta de seus interesses, viabilize o acesso ampliando o número de cotas e dê visibilidade aos grupos minoritários por meio de eventos universitários. Somente assim será possível reincluir e representar a diversidade e melhor guiar os alunos em suas decisões profissionais, ademais, desconstruir o sistema tal qual em “Entre os muros da escola” comprometia o processo educativo, compromete a permanência dos estudantes no ambiente universitário brasileiro.