Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 26/09/2019

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos a educação e o bem-estar social. Entretanto, a crise econômica brasileira e a falta de assistência estudantil contribuem para os altos índices de evasão universitária, o que representa grave obstáculo à verdadeira efetivação desse direito. Com efeito, intensificar investimentos para mitigar a inadimplência do poder público nas universidades e fornecer assistência estudantil é medida que se impõe.

Em primeiro plano, é evidente que a negligência do poder público e o baixo investimento nas universidades contribuem para o problema sistêmico da evasão universitária. A esse respeito, no “Conto de Escola”, Machado de Assis, discorre sobre os desafios enfrentados por Pilar, que se sentia desmotivado devido às condições de um ambiente precário e, por isso, ambicionava mais à rua aos estudos. Fora da ficção, as dificuldades sofridas pelo sucateamento das instituições de ensino superior configuram graves obstáculos a toda população, uma vez que são inegáveis as consequências negativas, como a falta de capacitação e a perda do potencial trabalhador no futuro. Nesse contexto, nota-se a evasão do ensino superior como uma anomalia na sociedade brasileira, sendo esta uma consequência direta do baixo investimento público nas instituições de ensino como na obra de Assis. Portanto, não é razoável que o estado permaneça indiferente a essa nociva situação.

De outra parte, a crise financeira e a desigualdade social impossibilita a diminuição dos índices de abandono nas universidades. A cerca disso, uma pesquisa realizada pela UNICEF, em 2014, demonstra a relação direta entre a população de baixa renda e a evasão do aluno em sala de aula. Uma vez que, a falta de recursos influenciada pela crise econômica brasileira tornam as oportunidades no mercado de trabalho mais sedutoras e alguns indivíduos decidem trabalhar a estudar. Além disso, a falta de assistência estudantil também dificulta a permanência de estudantes de baixa renda familiar pela dificuldade de conciliar o estudo com o trabalho. Nesse sentido, enquanto o país não atuar na valorização e inclusão, o estudante brasileiro continuará sem usufruir seu direito previsto na Carta Magna: a educação.

Urge, portanto, que o direito a educação e ao bem-estar social seja de fato assegurado como prevê a Constituição. Nesse sentido, cabe ao Governo encaminhar verbas para o Ministério da Economia e ao da Educação que devem, com urgência, direcionar investimentos nas universidades e promover programas sociais que incentivem e auxiliem o aluno - de baixa renda - em seu progresso acadêmico, por meio de eventos pedagógicos, como aulas e palestras, com a finalidade de mitigar o sucateamento das universidades e as influências negativas da crise econômica, permitindo, assim, o ingresso de estudantes às Instituições de Ensino Superior Privado e Pública.