Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 20/09/2019
Segundo as ideias do sociólogo Habermas, a universalização da educação é fundamental para a razão comunicativa. Visto isso, é possível mencionar que a conclusão do ensino universitário é essencial para o desenvolvimento da sociedade. Entretanto, a evasão universitária no Brasil tem se acentuado ao decorrer dos anos, de acordo com instituto Datafolha. Isso ocorre devido à falta de políticas públicas efetivas que auxiliem indivíduos incapacitados financeiramente a terem condições de concluir o ensino superior, e à baixa integração das cidades universitárias com seus municípios marginais. Essa realidade constitui um desafio a ser resolvido pelos poderes públicos.
Primordialmente, no contexto relativo à condições financeiras, pode-se citar que, desde 2014, o IBGE já abordava sobre a relação entre o abandono da universidade e a falta de estabilidade monetária, afirmando que a evasão se mostra mais acentuada em estados do nordeste, caracterizados por serem uns dos mais subdesenvolvidos do país. Dito isso, é possível traçar um paralelo com essa realidade, visto que milhões de pessoas no Brasil que buscam a possibilidade de realização do ensino superior precisam trabalhar para sobreviver, e muitos cursos integrais, como o de medicina, dificultam a conciliação entre estudo e trabalho, o que leva o indivíduo a ter que abandonar o ensino superior para garantir a sua sobrevivência.
Ademais, é importante destacar que grande parte das cidades universitárias apresentam uma precária integração com seus municípios marginais, atrativos por terem um custo de vida barato, marcada por engarrafamentos, carência de transportes públicos e por rodovias desgastadas. Esses são fatores que afastam o indivíduo, que opta por universidades inseridas em municípios mais organizados, estruturados e que apresentem o mesmo baixo custo de sobrevivência. Essa realidade é exemplificada pelo coordenador da universidade de Campinas, em São Paulo, que afirma que grande parte dos estudantes que abandonam os cursos oferecidos pela instituição dizem buscar cidades mais organizadas e menos conturbadas para completar os estudos.
Portanto, cabe aos estados, por meio de empréstimos para estudantes e de investimentos, com um planejamento adequado, estabelecer políticas públicas que auxiliem o indivíduo a obter estabilidade financeira durante o ensino superior, a fim de diminuir a necessidade de conciliar trabalho e estudo, intensificada pelas desigualdades socioeconômicas do país. Além disso, é de suma importância que o poder administrativo promova, por meio de investimentos em infraestrutura e redes de transporte público, uma integração eficiente entre cidades universitárias e seus municípios marginais, com o intuito de diminuir os problemas da conurbação de centros urbanos.