Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 23/09/2019
Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a todos os indivíduos o acesso a políticas educacionais que possibilitem a continuação de sua formação escolar e acadêmica. Entretanto, nota-se que, na prática, o alto nível de evasão universitária no Brasil resulta de um cenário oposto ao idealizado pela Constituição, visto que essa situação acarreta a interrupção do ciclo de graduação e agrava as condições de vida do meio social do País. Assim, cabe a análise acerca dos principais desafios ligados a esse impasse, com destaque à coerção familiar e ao desamparo financeiro do Estado.
A priori, é válido reconhecer a contínua pressão da instituição parental quanto à escolha da área de formação como um dos entraves da problemática. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, o âmbito familiar tem como papel internalizar nos indivíduos crenças que visem ao seu bem-estar. Nesse contexto, o enaltecimento excessivo, realizado pela família brasileira, de profissões tradicionais em detrimento de cursos sem grande valorização social confronta o pensamento de Durkheim, já que esse panorama provoca a manipulação dos jovens pela transmissão de valores deturpados e contribui para a descontinuação da graduação no Ensino Superior. Dessa forma, torna-se fundamental orientar as pessoas adequadamente em relação à decisão consciente de um setor para graduação no País.
Além disso, a ausência de assistência monetária do Estado àqueles que ingressaram na universidade também pode ser apontada como obstáculo frente ao impasse. Acerca disso, é possível relacionar a realidade brasileira com o conceito de “Cegueira Moral”, desenvolvido pelo escritor português José Saramago para retratar a indiferença de diversos grupos perante os problemas que afetam uma comunidade. De maneira análoga, a instituição governamental despreza o apoio financeiro voltado aos indivíduos em situação de vulnerabilidade, o que dá margem à entrada despreparada dessas pessoas no mercado de trabalho e os afasta da prioridade que deveria ser conferida ao âmbito acadêmico. Desse modo, nota-se o caráter nocivo do descumprimento da obrigação constitucional do grupo estatal de possibilitar o bem-estar dos diferentes cidadãos que formam a sociedade nacional.
Fica evidente, portanto, que são necessárias medidas para permitir a superação dos desafios ligados à evasão universitária no Brasil. Logo, é mister que o Ministério da Educação e o meio midiático promovam a desconstrução da coerção familiar quanto à supervalorização de áreas de graduação, mediante campanhas publicitárias que objetivem conscientizar os pais acerca do feitio prejudicial dessa imposição. Outrossim, o Poder Público, como instituição responsável por garantir a continuação do indivíduo na formação acadêmica, deve efetivar o auxílio financeiro aos que estão em vulnerabilidade, por meio de programas governamentais que visem à transferência direta de renda para esse grupo.