Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 22/09/2019
Promulgada pela ONU(Organização das Nações Unidas), em 1948, a Declaração Universal do Direitos Humanos tem o Brasil como signatário. Entretanto, os atuais números que refletem a evasão universitária brasileira afrontam os compromissos firmados em 1948. O problema encontra subterfúgios no sucateamento das universidades e baixa qualidade do ensino escolar, que dificulta acompanhamento pelos alunos do conteúdo ministrado no ensino superior.
Mormente, é fulcral ressaltar que o universidades experimentam um processo de sucateamento em decorrência de severa crise econômica. Nesse sentido, o Governo Federal, no ano corrente, anunciou o bloqueio 5,18 bilhões em verbas para a educação. Além disso, houve o contingenciamento de 30% das verbas discricionárias das instituições de ensino superior . Esse arrocho financeiro afeta as atividades de ensino, pesquisa e extensão, culminando com o processo de sucateamento e desestimulando parte dos estudantes a perseverar no curso.
Outrossim, as deficiências hodiernamente identificadas no ensino escolar nacional tem grande impacto nessa problemática em análise. No último teste PISA(Programa Internacional de Avaliação Estudantil), em 2015, dentre 70 países avaliados, o Brasil figurou na 65º posição em matemática. Concomitantemente, a UNICAMP enfrenta índices de evasão nos seus cursos da área de exatas da ordem de 25%. Esses dados refletem a realidade de alunos que enfrentam grandes dificuldades em acompanhar as aulas no ensino superior. Este obstáculo surge em consequência de deficiências em conteúdos básicos que os estudantes deveriam dominar ao final do ensino médio. Portanto, frente a grande dificuldade em acompanhar as disciplinas, muitos optam por desistir.
Destarte, medidas são necessárias para a diminuição das taxas de evasão no ensino superior. Urge a necessidade do Governo Federal viabilizar a realocação de recursos de outras áreas menos estratégicas para a educação superior. Dessa forma, garantindo o suprimento financeiro necessário para as universidades e abrandando o sucateamento hoje vivenciado. Ademais, as faculdades devem criar cursos de nivelamento. Tais atividades teriam como público-alvo alunos com rendimento insuficiente por causa de lacunas na sua formação escolar. Eles aconteceriam concomitantemente com as aulas regulares e viabilizariam o alcance do nível básico de conhecimentos para o acompanhamento dos conteúdos da graduação. Por fim, cabe a toda sociedade introjetar os ensinamentos do sociólogo britânico Thomas Marshall, o qual afirma que a cidadania plena só é alcançada quando se garante, além das liberdades individuais, os direitos políticos e sociais. Nesta última classe, encontra-se a educação. Assim sendo, o país atendará aos compromissos firmados em 1948 perante o mundo.