Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 25/09/2019
A transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, trouxe várias mudanças no âmbito social, cultural e infraestrutural do país. Entre elas, podemos citar a criação da primeira universidade brasileira. A grande questão é que naquela época o acesso a um ensino superior era limitado a um grupo de pessoas pertencentes a elite, dificultando o acesso do ensino a todos. Tal problemática foi levada em consideração, no Brasil, por alguns governos a partir dos anos 2000, com a criação das cotas, onde muitas pessoas, principalmente, de baixa renda, tiveram a oportunidade de ingressar em uma universidade.
Por outro lado, a criação de cotas e a distribuição de bolsas não foi suficiente para evitar ou acabar com o problema da evasão universitária, uma vez que, estudantes tem trancado ou abandonando a graduação. Estimasse que 24% dos alunos deixam os cursos (aulas presenciais), segundo a pesquisa “Evasão no Ensino Superior Brasileiro”, feita pelo Instituto Lobo em 2016. Já nas Instituições de ensino superior privado, Segundo o “Panorama do Ensino Superior Privado do Brasil”, realizado pela startup edtech, a evasão no setor privado aumentou 4% entre 2011 e 2016, indo de 19% do total de estudantes para 23%.
A falta de compatibilidade com o curso, de recursos financeiros para transporte, material, mensalidade da faculdade e a mudança do sistema presencial de aulas para educação a distância são algumas das causas que levam vários estudantes a deixarem as universidades. Principalmente porque durante o período da graduação é comum que os alunos simultaneamente trabalhem, seja para arcar com os estudos ou para iniciarem um processo de independência financeira. Há outros casos em que os estudantes possuem filhos, longas jornadas de trabalho e ainda tem que realizar afazeres domésticos, o que os leva a desistirem de estudar.
Portando, devemos considerar que a vontade de frequentar uma universidade não depende apenas do desejo de possuir um diploma ou da paixão por determinada área de conhecimento mas, o que percebemos na sociedade são uma serie de impasses que inibem a vontade do aluno de continuar a presenciar as aulas. Para os casos em que a evasão da universidade é dada pela falta de tempo, seria interessante que o Ministério da Educação estimulasse e qualificasse o ensino a distância, uma vez que, tal medida diminuiria a quantidade de desistências da graduação. O governo também deveria prezar pela criação de novas universidade e com novas opções de cursos, além de investir em todas as áreas, seja em pesquisa, bolsas de pós graduação ou de mestrado, a fim de que os alunos se sintam acolhidos e se identifiquem com a profissão escolhida para exercer.