Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 25/09/2019

Com a chegada da Corte Portuguesa no Brasil, em 1807, as cidades passaram por um processo de urbanização e as primeiras universidades foram construídas. Entretanto, apenas a elite econômica e intelectual possuía acesso ao ensino. Hodiernamente, apesar do aumento da democratização da educação, ainda há altos índices de evasão universitária no país.

Em primeiro plano, o nível de desigualdade social do Brasil foge à normalidade dos parâmetros internacionais. A esse respeito, o filósofo Paulo Freire argumenta que a classe dominante não permite que a classes dominada tenha uma educação que possibilite a percepção das injustiças sociais de maneira crítica. Assim, a perpetuação de privilégios dificulta a ascensão social dos mais pobres por meio do ensino, uma vez que muitos não conseguem terminar o curso superior por falta de recursos financeiros.

De outra parte, o baixo investimento em programas de assistência estudantil dificulta a permanência de universitários de baixa renda. De acordo com dados  do INEP, a taxa de evasão no ensino superior, nos últimos 10 anos, se manteve em torto de 21%. Nesse sentido, enquanto o Estado não der condições para que a população tenha acesso a uma educação de qualidade, o Brasil continuará imerso nas opressões descritas no clássico “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre.

Urge, portanto, que o direito à educação presente na Constituição Federal  contemple todos os cidadãos. Para tanto, é necessário que o Ministério da Educação aumente a verba destinada aos programas de assistência estudantil nas Universidades Federais, visando assegurar a permanência do aluno no campus. Outrossim, é preciso que o Governo Federal invista em pesquisas e estudos sistemáticos sobre a evasão escolar, a fim de compreender o problema mais a fundo e descobrir quais são as práticas mais eficientes para mitigá-lo.