Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Ao longo dos anos, observa-se um aumento na quantidade de cursos ofertados no ensino superior brasileiro. Analogamente, o número de alunos matriculados nessas atinge níveis cada vez mais positivos. Juntamente com o aumento de cursos e alunos, o número de desistências toma uma posição preocupante nesse cenário onde, a frustrante quebra de expectativa individual, bem como a desmotivação atrelada à expectativa de baixa aceitação do mercado de trabalho em decorrência do curso escolhido são os maiores responsáveis por tal.

Em primeiro lugar, cabe destacar que a maioria das escolas brasileiras não gozam de serviços de acompanhamento psicológico e/ou vocacional que tem por intuito instruir seus alunos ao escolherem suas futuras profissões. Dessa maneira, grande parte destes, fazem da opinião familiar ou social acerca do curso mais apropriado a sua, negligênciando habilidades e aptidões individuais que são de primordial consideração em uma escolha demasiadamente subjetiva. De mesmo modo, muitos somente conhecem as especificidades de determinados cursos (e se interessam por estes ou não) quando já estão inseridos no meio acadêmico e em contato com os mesmos. Como consequência, temos alunos infelizes e frustrados que quase sempre optam por migrar ou abandonar o curso atual.

Seguidamente, a falta de perspectiva de ingresso no competitivo mercado de trabalho, ou mesmo a projeção de salários não compatíveis com a dedicação física, mental e financeira que o curso exige, contribuem para o problema. Como pode-se observar em cursos, majoritariamente das Ciências Humanas e, especialmente, licenciatura, onde o aluno se considera fadado à, monetariamente limitante e desvalorizada, profissão de professor de instituições de ensino público. Preconceito corroborado pela alta carência e demanda de profissionais do magistério e suas baixas remunerações. Logo, esses cursos se tornam os menos desejados como visto nas relações candidato/vaga dos principais vestibulares do brasil e os mais abandonados de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas de 2016.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para que a evasão universitária diminua. Urge que o Ministério da Educação invista em núcleos de assistência psicológica e vocacional dentro das escolas -públicas e particulares -  por meio da contratação de profissionais da saúde mental a fim de prestar esclarecimento sobre as possíveis carreiras e servir de ferramenta para o aluno se encontrar em meio a tantas opções e dúvidas. Por conseguinte, teremos menos desistências ou trocas de cursos, consequente economia das faculdades públicas e o número de jovens menos frustrados cresce junto com o de cursos, matrículas e de futuros profissionais realizados.