Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 04/10/2019

Desde a criação da primeira instituição de ensino superior brasileira, a Escola de Cirurgia da Bahia, fundada no século XVII pelo Imperador D. João VI, a formação nesse nível de educação tem sido excludente e elitista. No cenário hodierno, mesmo com a Constituição Cidadã, a qual garante o pleno acesso à educação de qualidade, os alarmantes índices de evasão universitária pressupõem a manutenção da segregação, efeito não apenas da escassez de investimentos estatais, mas também do sistema educacional obsoleto.

Em primeira instância, convém destacar que, segundo a Fundação Getúlio Vargas, em 2015, mais da metade dos estudantes desistentes da graduação no nível superior são de baixa renda e só tomam essa decisão devido à falta de incentivos financeiros, os quais os auxiliariam a se manter na universidade. Fica claro, em vista disso, que a pouquidade de ações monetárias governamentais tem levado o cidadão a priorizar seu sustento em detrimento do seu conhecimento, assim como o obrigado a postergar sua qualificação, o que põe em xeque sua vida profissional.

De mesma forma, consoante ao sociólogo Émile Durkheim, a educação é uma das instituições sociais primordiais na formação do indivíduo, pois, fornece infraestrutura para o exercício da cidadania e estimula a busca pela qualidade de vida. Sob essa ótica, é pertinente afirmar que, a evasão de cursos superiores reflete um ensino básico defasado e arcaico, seja pela falta de domínio dos saberes exigidos pelo mundo acadêmico, seja pela carência de orientações pedagógicas que direcionem o aluno pré-universitário à escolha consciente da sua formação.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar tal agrura. Dessa maneira, para que se conserve o aluno na graduação, é fundamental que o Estado amplie os recursos financeiros, por meio de bolsas de iniciação científica e de permanência, com o objetivo de amparar os discentes de renda vulnerável. Outrossim, para que haja maior integração entre os ensinos básico e superior, faz-se míster que o Ministério da Educação estimule a realização de feiras de profissões, e crie secretarias de orientação vocacional, com o fito de nortear os futuros universitários, e prevenir prováveis frustrações e desistências.