Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 04/10/2019
A Inconfidência Mineira foi um movimento de caráter separatista que ocorreu em Minas Gerais, em 1789, o qual um dos objetivos era fundar uma universidade em Villa Rica. No entanto, atualmente, nota-se um cenário diferente, pois ao invés de aumentar o número de universidades, ocorre a evasão universitária. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.
A princípio, tona-se capaz perceber que no Brasil o número de vagas em universidades públicas é limitado, o que causa uma competitividade e elitização. Observa-se que há poucas vagas para o grande número de estudantes que sonham fazer faculdade, portanto, ocorre uma elitização do ensino superior. Embora as possibilidades de aprovação tenha aumentado, percebe-se dificuldade em se manter e garantir a conclusão do curso, principalmente em faculdades públicas. Logo, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) revelou que 23% não prosseguiram com os estudos porque não conseguiram passar em uma instituição pública.
Desse modo, não apenas o número limitado de vagas, como também a grande demanda de possibilidades de trabalhos diversificados são fatores significativos para a evasão escolar. À vista disso, percebe-se que devido à Quarta Revolução Industrial o cenário de trabalho mudou, portanto, novas áreas surgiram e outros entraram em obsolescência. Por conseguinte, gerou uma necessidade de empregos sem necessidade de graduação. Segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 11,8% dos desempregados são recém-formados. Isso mostra que não há demanda dos novos empregos, visto que profissões ligadas principalmente à internet e tecnologias, muitas vezes, não encontram seus cursos nas faculdades.
Fica claro, portanto, que ainda há entraves para assegurar que não ocorra a evasão universitária. Destarte, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação, incentive políticas de cotas e financiamentos, em conjunto com faculdades particulares, de modo que haja vaga para a maioria dos estudantes, por meio de investimento público, com o objetivo de cada vez mais pessoas possam concluir o ensino superior e tenham possibilidades para financiar. Além disso, as Universidades Federais realizem reuniões para que o currículo de cursos seja renovado, de modo que novos cursos possam abranger todas as novas áreas de empregos que surgiram, para que a evasão universitária seja ínfima e possa atender todos os estudantes. Dessa forma, porá garantir-se um ensino superior de qualidade e sem evasão, tal como Paulo Freire diz, ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.