Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 06/10/2019
Em 1808,com a chegada de Dom João VI ao Brasil,foi criada a primeira instituição de ensino superior: a Faculdade de Medicina da Bahia.Conquanto,sabe-se que o acesso à educação era muito elitizado,sendo a parcela majoritária de universitários formada por homens brancos de classe alta.No panorama hodierno brasileiro,embora tenha ocorrido uma maior inserção da população às universidades,nota-se elevados índices de evasão universitária.Assim,fatores como a falta de assistência e indisponibilidade de bolsas dificultam a graduação completa de um indivíduo de baixa renda,intensificando o ciclo de desigualdade socioeconômica enraizado no país.
Primeiramente,é imperioso ressaltar como o cenário de crise econômica gera graves reflexos no que tange à educação,de forma que recursos que recursos que possibilitam a presença de alunos nas faculdades são cortados.Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico, no qual cada órgão tem sua função e,por conseguinte, é fundamental o cumprimento de suas ações para haver bom funcionamento coletivo.À vista disso,a falta de investimento educacional por parte da esfera pública de poder gera um efeito tal qual a metástase no corpo humano,pois atrapalha a consolidação da presença de pessoas de baixa renda no ensino superior,uma vez que essas acabam abandonando a faculdade pela difícil tarefa de de conciliar o trabalho,que é uma necessidade econômica,com a vida acadêmica, que seria uma superação da desigualdade socioeconômica.
Destarte,urge analisar como o alarmante índice de evasão universitária não refere-se apenas à “desistência”,mas sim a um imbróglio estrutural brasileiro que impede a efetiva democratização do ensino.De acordo com a concepção sociológica de Weber, a desigualdade social seria influenciada pelas “etapas de graduação”,nas quais fatores como renda, tipo de trabalho e grau de instrução são determinantes à estratificação social.Mediante o exposto,é incontrovertível que essa problemática afeta sobretudo a camada mais pobre da população,de forma que as pessoas que mais precisariam concluir o ensino superior, que dá oportunidade de ascensão social,são impedidas por obstáculos externos.Assim sendo,tal cenário perpetua o ciclo de desigualdade,pois ao possuir um baixo grau de instrução e,consequentemente,trabalhos informais,o indivíduo torna-se vítima desse sistema desigual.
Fica evidente,portanto,que medidas devem ser tomadas para cessar esse imbróglio.Assim,o Ministério da Educação deve cumprir o seu papel de oferecer recursos às universidades,como programas de auxílio moradia perto da faculdade e disponibilidade de refeições gratuitas a pessoas de baixa renda.Para isso,é imprescindível que haja a fiscalização do povo e de órgãos federativos e estaduais,a fim de que cada vez mais pessoas possam obter ascensão social,acabando com a elitização do ensino.