Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 07/10/2019

No início do século XX, ingressar no ensino superior era a realidade de jovens oriundos de famílias ricas, sendo um meio segregador e elitizado. No entanto, esse panorama ainda se faz presente na conjuntura atual brasileira. Pois, ainda perduram impasses que dificultam a inserção e permanência de grupos menos favorecidos nas instituições de ensino, o que contribui para os altos índices de evasão universitária no Brasil. Nesse sentido, os óbices na aplicação de políticas públicas na esfera estatal de ensino somadas a falta de orientação vocacional durante o ensino médio contribui para que esse impasse perdure na sociedade brasileira.

Convém ressaltar, a princípio, em como o panorama supracitado aflige o corpo social. Dessa maneira, a ineficiência na gerência do Programa Nacional de Assistência Estudantil – Bolsa de auxílio a permanência de estudantes na universidade – em grande maioria, nos cursos de Iniciação Científica e Pós-Graduação, é um agravante da evasão universitária, visto que, muitos alunos dependem exclusivamente do auxílio para se manterem em seus cursos. De acordo com matéria publicada pelo portal G1, cerca de 4 institutos federais tiveram os repasses de verbas atrasados na região Sudeste em 2018, afetando cerca de mil alunos de diferentes áreas de atuação. Por isso, torna-se necessário o debate acerca das causas dos índices de evasão universitária no Brasil.

Somado a isso, esse impasse se dá pela falta de comprometimento do Estado frente à orientação vocacional de alunos no ensino médio. Dessa forma, ao ingressar no ensino superior, o estudante por não ter sido direcionado à uma área de carreira a partir do seu interesse, entra em conflito com o curso escolhido por não se identificar naquela área do conhecimento, visto que, não teve contato prévio com ela. Por conta disso, abandona a universidade, muitas vezes, frustrado por não ter uma direção de carreira. Ademais, gera gastos à universidade, pois segundo dados do Ministério da Educação, o gasto médio por aluno é cerca de 3 mil reais ao mês. Visto isso, é necessário que medidas sejam tomadas para mudar tal cenário, pois de acordo com a máxima de Immanuel Kant:’’ O homem é aquilo que a educação faz dele’’, a educação é o alicerce social e deve ser priorizada como tal.

Logo, é mister que o Estado tome providências para atenuar tal quadro. Para isso, urge que o Ministério da Educação promova a cada semestre, por meio de assembleias com representantes estaduais e reitores das universidades, comissões de prestação de contas para averiguar a gerência dos repasses de bolsas, a fim de garantir que o benefício seja repassado de maneira íntegra e na data proposta para os alunos, a fim de garantir sua permanência nas instituições. Também, inserir no ensino médio, palestras e aulas de campo em universidades, auxiliando os alunos na escolha da graduação.