Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 07/10/2019

Durante o século XIX, foram feitos os primeiros esforços em função da abertura de universidades no Brasil, que eram restritas a um seleto grupo. Atualmente, apesar de haver uma maior democratização do ensino, os altos índices de evasão universitária são preocupantes. Tal fato reflete a disparidade entre o ambiente acadêmico e a realidade de muitos alunos, que podem possuir dificuldade de conciliação de horários e falta de acompanhamento pedagógico em suas instituições.

Em primeiro lugar, muitos alunos que precisam trabalhar enquanto fazem o curso encontram dificuldades para a conciliação de horários. Segundo o sociólogo Karl Marx, a história da sociedade é a história da luta de classes. Analogamente,  a desigualdade também se reflete nas faculdades, pois por terem menos tempo para se dedicar aos estudos ou até mesmo para frequentar as aulas, muitos alunos com baixas condições socioeconômicas não veem outra se não desistir do curso.

Além disso, ao se defrontarem com dificuldades na universidade, os alunos não possuem acompanhamento pedagógico para uma melhor orientação. Para o filósofo Jean-Paul Sartre, o homem é condenado a ser livre. Entretanto, quando passam por dificuldades no curso, como  a repetência de muitas matérias, a falta de orientação faz muitos alunos se sentirem sem saída, fator que restringe sua liberdade de escolha e, muitas vezes, os leva a tomar a decisão precipitada da evasão.

Dessa forma, para diminuir os índices de evasão universitária, é necessário repensar o ambiente acadêmico, de forma a contemplar a realidade dos alunos que nele estudam. O Ministério da Educação deve ampliar o número de cursos disponíveis à noite ou até mesmo de modo semi-presencial, para que os alunos nas mais diversas condições socioeconômicas consigam conciliar suas obrigações com os estudos. Além disso, o Legislativo deve aprovar uma lei que garanta a presença de pedagogos nas faculdades públicas e privadas do país, de forma a garantir que os alunos tenham um maior acompanhamento nas instituições.