Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 10/10/2019
Na distopia “Divergente”, de Veronica Roth, a sociedade é dividida em facções e, caso o indivíduo se arrependa do grupo escolhido, ele pode abandoná-lo e se tornar um sem-facção. Fora da fantasia, tal conjuntura se assemelha à atual situação das universidades: a evasão dos alunos. Isso ocorre ora pela decisão errônea do curso acadêmico, ora pela crise econômica que o Brasil enfrenta.
A priori, é importante salientar que há grande indecisão acerca da futura profissão entre os jovens. Conforme o site do Inep, em 2017, 21% dos alunos que ingressaram em universidades federais fizeram o Enem novamente, nesse mesmo ano. Isso ocorreu, pois a falta de certeza sobre o curso escolhido é uma problemática que afeta os estudantes e agrava os índices de evasão, já que esse resolve abandonar a faculdade.
Ademais, outro fator a ressaltar é a crise econômica vigente e a falta de investimentos em universidades. Conciliar os estudos com o trabalho é um desafio para os alunos, ainda mais quando o salário não é o suficiente para manter os gastos com a mensalidade, locomoção e alimentação. Outrossim, há ainda a carência de bolsas nas faculdades, que auxiliam os jovens de baixa renda a permanecerem estudando. Assim, conforme o filósofo John Locke, o Governo não estaria cumprindo seu papel de garantir o direito a todos da sociedade.
Diante os fatos mencionados, é indubitável a necessidade de mudanças. Cabe ao Ministério da Educação preparar os alunos do Ensino Médio para a escolha de uma profissão, por meio de testes vocacionais dirigidos por psicólogos públicos, a fim de evitar a indecisão no futuro e uma possível desistência do curso, como ocorrido em 2017. Ademais, cabe ao Governo Federal, juntamente ao MEC, o aumento de bolsas integrais e investimentos em universidades federais, por meio de verbas governamentais, a fim de ajudar os estudantes de baixa renda a permanecerem estudando. Dessa forma, é possível evitar a evasão universitária, afastando a ficção de Roth da realidade escolar brasileira.