Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 20/10/2019

A atual situação da evasão universitária no Brasil muito tem em comum com o processo histórico de formação do País. A partir da Lei Áurea, assinada em 1888, os ex escravos passaram a ter uma ilusória sensação de liberdade, a qual, embora tenha lhes fornecido autonomia, não lhes garantia os mesmos direitos e, principalmente, as mesmas oportunidades do restante da população. Análogo a isso, está o cenário presente hoje no Brasil: a taxa de matrícula em universidades aumenta, ao passo que a evasão também cresce, fornecendo uma falsa sensação de desenvolvimento educacional na nação. Essa alta taxa ocorre, principalmente, devido à falta de recursos somada à dificuldade de conciliamento entre as vidas pessoal e acadêmica.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar o impacto que a carência de recursos monetários tem na vida do estudante. Certamente, a crescente evasão universitária tem relação direta com as precárias condições sociais enfrentadas pelos cidadãos, visto que, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2017, o índice de desistência em universidades pagas, que vem crescendo constantemente, é maior do que das gratuitas, que tem permanecido estável. Além disso, essa dificuldade financeira pode se manifestar, também, em estudantes de instituições públicas ou bolsistas, no acesso a meios de transporte, alimentação e até mesmo material didático.

Nesse contexto, vale ressaltar, ainda, a interferência que a vida pessoal exerce na acadêmica. Decerto, ao considerar que a maior parte da população brasileira é composta pelas classes média e baixa, é possível afirmar que a dificuldade no ajuste de horários afeta grande parte dos alunos de universidades particulares. Nesse sentido, seja sem bolsa ou com bolsas parciais, muitos estudantes necessitam de trabalhar para se manter no curso e muitas vezes, não conseguem conciliar seus horários do trabalho e do curso, uma vez que, segundo o Ministério da Educação, MEC, a desistência  em universidades privadas chegou a 75% em relação às matriculas no ano de 2019.

Em síntese, a dificuldade financeira, somada à dificuldade de conciliação de horários por parte dos estudantes têm sido, no Brasil, grandes desafios para a diminuição da evasão universitária. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, por meio da criação do projeto “Mais Auxílio”, promover, não só aos estudantes de instituições públicas, mas também aos bolsistas, maiores auxílios financeiro a fim de oferecer a eles o acesso aos recursos básicos, bem como vale transporte, alimentação e doação de materiais didáticos. Além disso, cabe também a ele por intermédio desse projeto, flexibilizar os horários acadêmicos, com o intuito de ampliar o acesso dos estudantes às universidades. Assim, ao assistir os alunos, espera-se diminuir o  índice de evasão universitária no País.