Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 19/10/2019
Abandono ineficaz
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos universitários brasileiros, os quais buscam ultrapassar as barreiras que os separam do direito à educação. Nesse contexto, não há dúvidas de que a formação educacional dos discentes é um desafio no Brasil, o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também à inadimplência e dificuldades financeiras que tentam ultrapassar, para a diminuição dos índices de evasão nas universidades brasileiras.
A Constituição cidadã de 1988 garante educação inclusiva de qualidade à todos os cidadãos, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que a oferta não apenas da assistência educativa, como também do número de recursos para o auxílio desses estudantes mostra-se insuficiente, fazendo os direitos supracitados permanecerem no papel.
Outrossim, as demandas financeiras ainda é um grande impasse à permanência dos índices de evasão nas instituições. Tristemente, com o advento dos processos denominados “revoluções industriais”, o mundo passou demasiadamente a priorizar capitais e experiências profissionais para o desenvolvimento econômico do país. Essa realidade imediatista, impede a finalização dos cursos presenciais nas universidades, pois exige o abandono dos mesmos para a execução das atividades que, em teoria, deveria oferecer maior flexibilidade para a execução das atividades estudantis. Concomitantemente, essa realidade é reflexo das ideias do filósofo Zygmunt Bauman, pois reflete a fluidez dos valores contemporâneos, desencadeados pelo processo de “modernização líquida”.
Diante do exposto, cabe às instituições de ensino com proatividade o papel de deliberar acerca dessa limitação em palestras elucidativas por meio de exemplos em dados estatísticos e depoimentos de pessoas envolvidas com a temática, para que a sociedade civil, em especial os universitários, não sejam complacente e busquem desistir dos cursos ofertados. Em soma, é necessário a destinação de maior parte dos impostos recolhidos, através da Receita Federal, para áreas que fomentem e auxiliem os estudantes nas universidades. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.