Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 29/10/2019

Efeito cascata

Inadimplência. Insatisfação. Deficiência. Esse é o cenário que permeia a atual situação da evasão universitária. Infelizmente, se configura como uma perda substancial de potencial intelectual, financeiro e social para o país, desencadeados, principalmente, por um sistema de ensino falho. Reverter esse quadro em busca de ampliar direitos individuais – eis a missão de um país que se diz democrático.

É válido considerar, antes de tudo, os principais gatilhos que incitam a essa problemática. Motivados por uma frágil situação socioeconômica, aliada ao fato de que os benefícios adquiridos com o diploma, não compensam o esforço para obtê-lo, os universitários desistem cada vez em maior número das instituições de ensino superior. Dessa forma, o principal setor a sentir as sequelas desse ato é a sociedade como um todo, que se vê frente a um efeito cascata de índices cada vez mais baixos de qualificação, mão de obra especializada e inovações. Em contrapartida, a desigualdade social aumenta em níveis exponenciais, pois se favorece a formação de cidadãos de papel – pessoas que não tem seus direitos garantidos na prática – fato constatado por Gilberto Dimenstein no décimo capítulo de seu livro: O cidadão de papel, que reflete sobre a importância da educação na qualidade de vida.

Cabe apontar também, que a atual situação do ensino público favorece a evasão universitária. De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a principal causa da saída dos jovens das instituições superiores é decorrente de um ensino básico falho, que em curto prazo, o torna incapaz de identificar sua vocação e assim, de escolher de forma incorreta sua profissão, e em longo prazo, o torna inábil para acompanhar o nível de exigência, complexidade e autonomia que envolve a graduação. Bem como, somado ao baixo engajamento das universidades em busca de manter o acadêmico em seu meio, acaba por perder sua estabilidade e relevância nacional, o que a torna fuga de recursos federais.

Fica evidente, portanto, que o absenteísmo é um fenômeno enraizado no sistema de ensino, cujos altos índices se perpetuam ano após ano no ensino superior. Logo, com o objetivo de amenizar a falta de direcionamento vocacional, o MEC deve a partir do Ensino Médio, inserir campanhas escolares que apresentem essa realidade aos jovens brasileiros, por meio de oficinas que irão demonstrar as fases da graduação, assim como, o mercado de trabalho em projeções futuras. Além disso, o Governo Federal aliado a empresas privadas pode, mediante incentivos fiscais, obter maiores investimentos em universidades públicas e privadas, para que elas passem a investir em bolsas de auxílio e propagandas que influenciem o universitário a se manter na instituição. A fim de que, a ação conjunta desses órgãos catalisem mudanças sociais, que barrem esse atual efeito cascata e reformulem a consciência dos antigos cidadãos de papel.