Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 23/10/2019
No livro “Utopia”, do pensador inglês Thomas More, é descrita uma sociedade impecável, na qual o tecido social se uniformiza pela inexistência de contratempos estudantis e hostilidades gerais. Contudo, o que se verifica na situação hodierna é o oposto da retratação do escritor, uma vez que a diminuição dos índices de evasão universitária aponta obstáculos no Brasil, os quais atrasam a materialização das concepções de More. Esse contexto adverso apresenta desafios para sua superação, como a negligência governamental e a excessiva pressão social para formação acadêmica. Então, torna-se essencial a discussão desses pontos, a fim do amplo desempenho da coletividade.
Em primeira abordagem, é fundamental destacar que a evasão universitária procede da ineficaz atividade dos setores governamentais no que se refere à geração de meios que reprimam tais recorrências. Consoante o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população; no entanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, alguns alunos não recebem apoio financeiro suficiente para viabilizar sua permanência no curso, fazendo com que não consiga conciliar trabalho com estudo e acabe por abrir mão da faculdade. Assim, faz-se necessária a remodelação dessa conduta para assegurar o objetivo estatal hobbesiano.
Outrossim, é impreterível salientar a pressão social como impulsionador do impasse. Segundo dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), 3 milhões de universitários abandonam o ensino superior antes da conclusão todos os anos. Partindo desse pressuposto, evidência-se a incerteza na escolha do curso de grande parte dos alunos, a qual muita das vezes é feita por influência de pessoas próximas que anseiam por um diploma sem refletir corretamente a decisão da área de estudo, resultando em arrependimento e desistência. Logo, essa atividade externa colabora para continuidade desse cenário nocivo.
Destarte, entende-se que a diminuição dos índices de evasão universitária traz consigo desafios no Brasil. Com o escopo de ampliá-la, urge que o Governo, na figura do Ministério da Educação, apoie os alunos necessitados de maneira estratégica. O apoio será realizado por meio de mais recursos financeiros complementares e acompanhamento vocacional com psicólogos desde o início do curso, certificando que o universitário está decidido de suas escolhas. Por fim, surgirá um contexto propício para atenuação, em médio e longo prazo, do efeito deletério do problema, e a comunidade se aproximará da Utopia de More.