Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 28/10/2019

Na ‘‘Escolinha do Professor Raimundo’’, programa criado pelo humorista Chico Anísio, os alunos são caricaturais, expressando, assim, suas personalidades únicas e participando das aulas de modo ativo. Infelizmente, no Brasil atual, a ficção não reflete a realidade, uma vez que, pela evasão universitária, os estudantes sequer comparecem às instituições de ensino. Isso ocorre pela crise vocacional entre os jovens, bem como pela realidade socioeconômica presente no país.

No tangente à evasão universitária, faz-se importante dizer que os jovens entram nas universidades sem saberem se, de fato, escolheram o curso certo, caracterizando um conflito profissional. Tal questão existe porque o modelo de educação brasileiro direciona seu foco para o desenvolvimento de habilidades apenas cognitivas, sem explorar, por isso, potencialidades individuais dentro de outros campos educacionais, como o da inteligência emocional, por exemplo. Isso, ao ser analisado sob a perspectiva de Paulo Freire, pode ser interpretado como uma metodologia passiva, na qual não há a participação do aluno no processo educacional, o que dificulta a descoberta de habilidades e vocações. Consequentemente, a evasão universitária é a culminância e expressão máxima do cenário educacional brasileiro, por esse não promover a descoberta do ser pelo próprio ser.

Evidentemente, não só a crise vocacional é responsável pela evasão universitária, mas a realidade socioeconômica no Brasil também. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 7,4% dos brasileiros está vivendo em uma situação de miséria. Logo, é compreensível que a evasão universitária seja alta, pois, mesmo a educação sendo reconhecida pelo senso comum como algo necessário, é impossível que essa parcela significativa da população se preocupe com isso, quando necessidades básicas de sobrevivência carecem de atendimento.

Nota-se, portanto, que o problema vocacional e o contexto socioeconômico são ímpares ao discutir a evasão universitária. Diante disso, o Ministério da Educação, responsável por administrar o ensino no país, deve fornecer os caminhos para os jovens descobrirem suas respectivas identidades e vocações. Essa ação pode ser realizada por meio da implantação de um modelo educacional ativo, no qual alunos tenham um contato intenso com diversos modos de expressão, desde a matemática até o teatro, por exemplo. Ademais, o Ministério da Economia, encarregado pela política monetária do país, deve providenciar o aparato necessário para pessoas que não possuem condições financeiras estudarem. Isso pode ser feito por meio do concedimento de isenção fiscal, de modo que essas pessoas não paguem impostos. Com tais medidas, é possível diminuir a evasão universitária. Afinal, todos merecem salas de aula como as do professor Raimundo.