Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 25/10/2019
O período moderno é conhecido pela difusão de conhecimento, pela formação de academias e novas correntes de pensamento, como o empirismo e o racionalismo. Entretanto, mesmo com uma visível evolução no que tange ao desenvolvimento do saber, torna-se perceptível o alto índice de evasão nas universidades brasileiras. Tal fenômeno ocorre, ora devido à insatisfação dos estudantes em relação ao curso escolhido, ora devido às dificuldades financeiras enfrentadas pelos mesmo. Neste aspecto, hão de ser analisados tais fatores, a fim de mitigar tal fenômeno.
Em primeiro lugar, é necessário apontar que o estudante, muitas vezes, sai da universidade por escolher um curso que não converge para a profissão que deseja exercer. Tal questão ocorre devido à falta de conhecimento sobre a grade curricular do curso e sua aplicabilidade no mercado de trabalho. Nesse sentido, ao perceber que o curso escolhido não satisfaz os seus anseios, o indivíduo se depara com um choque de realidade, que o leva ao abandono antes da conclusão do curso. Tal cenário corrobora o conceito de “ilusão da contemporaneidade” proposto por Jean-Paul Sartre, uma vez que o aluno pensa estar ingressando em uma área que lhe agrada, quando na verdade está equivocado.
Outrossim, a dificuldade financeira enfrentada pelos estudantes também leva à desistência de boa parte dos universitários. Isso porque as universidades estão concentradas em grandes centros urbanos, o que dificulta a migração pendular realizada pelos alunos que vivem em regiões mais afastadas. Além disso, o custo que o curso traz é alto: os materiais exigidos pelos professores, os quais deveriam ser facilitadores para a compreensão do curso, são, por vezes, inacessíveis. Tais fatores contribuem para com a evasão universitária, como evidenciado pelos dados disponibilizados pelo jornal Gazeta do Povo em 2018, defendendo que a questão financeira está entre os principais motivos desse problema.
Portanto, ao analisar os fatores adversos supracitados em relação à permanência acadêmica, faz-se necessário a criação de iniciativas que promovam mudanças. Para tanto, é necessária uma ação conjunta entre o Ministério da Educação (MEC) e empresas privadas. Essa parceria deve, por meio de plataformas virtuais como o “Kual”, promover testes vocacionais para estudantes do ensino médio interessados em ingressar em uma universidade, de modo a solucionar os problemas de dúvida e esclarecer a confusão criada pela “ilusão da contemporaneidade”. Ademais, cabe ao MEC propor uma isenção fiscal às empresas que financiarem os custos de universitários, tanto em relação às migrações realizadas diariamente quanto aos materiais necessários para o desenvolvimento das atividades escolares. Dessa forma, será possível evitar confusões na escolha do curso e auxiliar àqueles que necessitam de apoio financeiro, de modo a desfrutar do desenvolvimento contemporâneo do saber.