Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Os altos índices de evasão no ensino superior têm como causas fatores com raízes históricas - e implicações atuais - na sociedade brasileira: desigualdades sociais e negligência com a qualidade de ensino básico. Nesse sentido, cabe salientar que cerca de 50% das famílias têm renda mensal de 1 salário mínimo no País, conforme dados do IBGE, e que o Brasil ocupa a 63ª posição no ranking do Pisa, prova que avalia os estudantes de 70 países quanto aos conhecimentos em ciências, leitura e matemática. Nesse contexto, é indubitável a necessidade de enfrentarem-se desafios fundamentais, como a garantia do custeio dos estudos de alunos pobres nos cursos superiores e a melhoria do nível do ensino básico, para diminuírem-se os índices de evasão universitária no Brasil.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar que grande parte dos universitários brasileiros enfrentam dificuldades financeiras para manterem-se na graduação. Prova disso é que, conforme dados do INEP, os mais altos índices de evasão têm ocorrido nas universidades privadas, para as quais é necessário o pagamento de mensalidade ou financiamento estudantil..Nesse sentido, a situação se agrava para alunos pobres, que precisam conciliar os estudos com o trabalho, para garantirem seu sustento. Portanto, a assistência estatal a esses alunos é essencial, para que possam melhorar suas condições de vida no futuro, consoante à Teoria Kantiana da educação como condição da autonomia do indivíduo.
Em segundo plano, é preciso melhorar a qualidade do ensino básico no Brasil, para que os alunos não se evadam das universidades por dificuldades de aprendizado. Nesse âmbito, não há dúvida de que muitos universitários brasileiros têm deficiências em habilidades básicas, como compreender textos técnicos e realizar cálculos. Exemplo disso é que os índices de evasão de cursos da área das ciências exatas chegam a 25% no País, conforme dados do Ministério da Educação. Desse modo, é essencial que o Poder Público e a sociedade brasileira passem a priorizar a melhoria do ensino nas séries iniciais em todo o território Nacional. Assim, os ingressantes nos cursos de graduação terão maior aproveitamento e melhores perspectivas para manterem-se estudando.
Diante do exposto, para a superação dos desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil, urge que o Ministério da Educação atue em duas frentes. A primeira, disponibilizando maior montante de recursos para bolsas de estudo e financiamento estudantil para alunos pobres, a fim de que estes possam dedicar-se - exclusivamente - à graduação. A segunda, promovendo uma reformulação do ensino básico no País, com valorização do salário dos professores e financiamento de cursos de especialização para estes educadores. Como efeito, a falta de dinheiro para estudar ou a dificuldade de aprender não serão mais empecilhos à formação superior dos brasileiros.