Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 30/10/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito dos altos índices de evasão universitária no Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à vasta gama de problemas socioculturais enraizados na educação, mas também a inoperância estatal.

De início, pontua-se o baixo investimento feito na educação como agente precursor do agravamento da situação. Hodiernamente, ocupando a nona posição no ranking de economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas e Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública exemplar. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nas mais variadas adversidades perpetradas e difundidas nos centros educacionais, questões como o bullying e os elevados índices de evasão escolar ilustram o triste cenário da educação no país. Diante disso, medidas devem ser adotadas, com o intuito de reverter essa realidade.

Outrossim, o desleixo governamental contribui para a acentuação da problemática. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso dos governantes em relação a busca por alternativas no combate a evasão universitária, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), os quais revelam que a taxa de evasão no ensino superior de 21% se manteve constante nos últimos 10 anos, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.

Logo, para que o triunfo sobre a evasão universitária seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio do recursos enviados pelo Estado, promova a criação de projetos assistencialistas e bolsas estudantis, de modo a apoiar financeiramente os universitários que possuem baixa renda. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada de programas estudantis, com o objetivo de desenvolver e cultivar a participação acadêmica dos estudantes. Ainda assim, recursos devem ser direcionados à segurança nas universidades, de forma a prevenir atos de violência. Dessarte, a pedra drummondiana moderna poderá ser removida do caminho social.