Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 29/10/2019
De acordo com o químico Sir Arthur Lewis: “a educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”. Lewis está correto, no entanto, o que se observa no cenário brasileiro é o oposto do que foi proposto pelo químico – o aumento nos índices de evasão universitária. Isso é reflexo, principalmente, da troca de curso praticada pelos universitários e da elevada desigualdade social no Brasil.
Em primeiro lugar, é valido refletir sobre a imposição da família e a necessidade de se especializar que leva muitos estudantes a cursarem graduações com as quais não possuem afinidade, corroborando, muitas vezes, numa futura desistência. Charles Darwin, antes de se tornar biólogo e criar a “Teoria da evolução das espécies”, cursou medicina por imposição de seu pai, mas acabou desistindo. Assim como Darwin, existem outros tantos potenciais biólogos, matemáticos e músicos que se submetem a cursar graduações nas quais não se sentem realizados, em prol do equilíbrio familiar ou da pressão social. Tal situação gera um sentimento de frustração e impotência nesses estudantes, podendo levá-los a abandonar um curso e procurar outros nos quais se sintam bem.
Além disso, a desigualdade social é um fator determinante para o abandono das salas de aula. Segundo dados da ONU, o Brasil ocupa a 10ª posição no ranking dos países com maior desigualdade social no mundo. De fato, esse dado se concretiza ao observarmos a difícil realidade de muitos brasileiros que têm que trabalhar para conseguir estudar, por exemplo. Isso decorre, em parte, da inércia governamental em não oferecer bolsas de estudos e incentivo para a população carente. Assim, basta perder o emprego, ou passar por um problema familiar para ficar insustentável ir para a universidade, aumentando, portanto, os índices de evasão universitária.
Diante do exposto, fica evidente a necessidade da urgência em se tomar medidas para contornar o problema da evasão nas universidades brasileiras. Destarte, cabe às escolas, promover eventos que se utilizem de palestras, grupos de discussões e banners, que visem educar seus alunos e a comunidade do entorno tanto no que diz respeito às decisões a cerca da escolha de um curso superior que seja condizente com as características dos interessados, quanto na necessidade de aceitação dessa escolha por parte da família, já que o apoio familiar é de suma importância nessa etapa da vida. Ademais, o MEC deve atuar junto aos veículos de mídia (TV, rádio, internet, etc.) na promoção de campanhas publicitárias que incentivem os jovens a entrar e permanecer na universidade e, concomitantemente, deve oferecer meios para isso, como investir na distribuição de bolsas de estudo e monitoria nos campus. Assim, o país terá profissionais tão bem capacitados à altura de Darwin.