Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 30/10/2019

O filme " O menino que descobriu o vento" retrata um jovem que, embora diversas adversidades, esforça-se para manter sua educação e um dia chegar na faculdade. O drama, que se passa na África Subsaariana, poderia facilmente ser confundido com o Brasil. Aqui, assim como na obra, entrar numa universidade ainda é um privilégio para poucos, e a dificuldade do estudante em conciliar o emprego com o ensino, junto ao despreparo dos docentes, gera altos índices de evasão daqueles que ingressam em tais instituições; tornando-se um desafio superar esses problemas.

Primeiramente, é preciso entender que a dificuldade de conciliar uma fonte de renda com os estudos é latente. Para isso, basta ver que, segundo dados do próprio Governo Federal, mais da metade da população brasileira vive com até 2 salários mínimos. Portanto, é compreensível que muitos estudantes não tenham condições financeiras que os permitam abrir mão de empregos em tempo integral, o que acaba sendo um grande fator de evasão e, mesmo que existam auxílios disponibilizados pelas universidades e pelo governo, muitas vezes eles não são suficientes para atender a todos que precisam.

Junto com o problema da renda, existe o desafio do aluno em acompanhar o curso escolhido. Tal fato ocorre pois muitos docentes não tem uma preparação boa para a sala de aula, não recebem um contínuo processo de capacitação, e são escolhidos devido às habilidades de pesquisa, mas não de ensino. Essa questão é ainda mais alarmante em universidades públicas, já que segundo autores como Gustavo Ioschpe, a estabilidade quase vitalicia do professor é um empecilho à educação, já que gera comodismo; este quadro geral reflete um ensino muitas vezes confuso e desestimulante aos discentes.

Em suma, para superar os desafios da evasão escolar, é preciso atuar em 2 pilares. O primeiro deles é a aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional que permita às universidades públicas arrecadarem dinheiro, através de serviços de pesquisa por exemplo, e converter essa verba em mais auxílios aos estudantes, para que possam focar nos estudos. O segundo é uma reforma institucional, promovida pelo MEC, que acabe com a estabilidade dos docentes, mesmo que só seja possível aos que ingressarão nesse sistema no futuro, e promovendo cursos de capacitação contínua para eles; medidas as quais melhorariam a qualidade do ensino. Somente assim, portanto, será possível combater a evasão e impedir que o sonho de tantos “meninos que descobriram o vento” sejam destruídos após finalmente alcançarem o ingresso na universidade.