Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 29/10/2019
De acordo com a teoria da “Cidadania no papel”, do escritor Gilberto Dimenstein, os direitos dos cidadãos, previstos constitucionalmente, são apenas presentes no papel e não efetivamente aplicados. Nesse sentido, a ineficiência da garantia desse direito perpetua o problema da evasão universitária no Brasil, afetando a qualidade e oferta do ensino superior à população. Assim, é notável o impacto do sucateamento na educação e do padrão de ensino arcaico na manutenção dessa problemática.
Em primeiro plano, urge destacar que a crise econômica nacional prejudica a qualidade e acesso à educação, um vez que menos verba é destinada as instituições de ensino e a diminuição da renda familiar dificulta o financiamento da educação privada. Nesse viés, o sucateamento da educação maximiza as já grandes diferenças sociais do pais pois dificulta o acesso igualitário a educação, como comprova a teoria da “Cidadania no Papel”. De acordo com Hans Jonas, as ações econômicas Estatais possuem consequências para o corpo social. Logo, é necessária a maximização de investimentos em instituições de ensino superior para minimizar as desigualdades nacionais.
Outrossim, a evasão universitária também é fruto do desinteresse dos estudantes pelo ensino superior, o que resulta do ensino tecnicista e majoritariamente teórico aplicado pelas instituições de ensino superior público. Segundo Edgar Morin, a educação eficaz deve ser multidisciplinar, envolvendo diferentes tipos de conhecimento e técnicas de ensino. Concomitantemente, o educador Paulo freire defende que a educação deve ser criativa e instigar a imaginação do aluno. Dessa modo, visando a qualidade e permanência do aluno na universidade, é necessário a implementação de formas de ensino que despertem o interesse do aluno e extrapolem o estudo mecanizado e arcaico hodiernamente utilizado.
Portanto, cabe ao Ministério da Fazenda agir, por meio da utilização da verba pública, no sentido de aumentar o repasse monetário para as instituições de ensino superior, assim como fornecer, juntamente aos bancos, créditos para o financiamento universitário com descontos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, mediante cursos preparatórios, ensinar e disponibilizar para os professores das universidades métodos educativos e atividades alternativas que perpassem o modelo arcaico de educação. Essas ações têm o objetivo ampliar o acesso ao ensino superior privado a famílias de baixa e renda, e também melhorar a preparação do aluno para o mercado de trabalho, proporcionando uma formação mais ampla e igualitária. Dessa forma, superar-se-á a realidade da “Cidadania de papel” no Brasil.