Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil
Enviada em 29/10/2019
Em 1808, na ocasião da chegada da corte lusitana à capital da colônia, D. João VI decreta a criação da primeira instituição de ensino superior do Brasil, a Escola de Cirurgia da Bahia. Entretanto,no Brasil hodierno, o sucateamento dos auxílios consequência da crise financeira no País, dentre outros fatores, impedem a permanência de muitos estudantes, sobretudo aqueles de classes economicamente vulneráveis. Nesse sentido, a relação entre estudo e renda carece de atenção especial.
Em primeiro plano, vale destacar que a instabilidade, no que concerne ao abandono do ensino superior é fruto das questões de desconciliamento entre vida pessoal e estudantil, em especial, às pautas financeiras. Conforme, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), o percentual de evasão nas universidades brasileiras chega aos 21%. Tal estatística deve suscitar preocupação nas linhas educacionais e também sociais, uma vez que a carência de renda é expressiva para a grandiosidade desse paradigma.
De outra parte, o incipiente acesso à educação, visto que essa ainda tem forte caráter elitista e excludente, é fator preponderante para a ampliação das desigualdades e da concentração de renda. Nessa vereda sociocultural, o filósofo norte-americano Jonh Rawls reflete sobre as desigualdades sociais. À luz do seu pensamento, esta incoerência pode ser mitigada perante ao princípio de equidade e ao oferecimento de oportunidades. Todavia, o Estado brasileiro é, em grande instância, alheio ao oferecimento de boas condições pós-ingresso na universidade. Com efeito, o cenário atesta a recorrente displicência política no tocante ao comprometimento com a educação.
Depreende-se, pois, a necessidade de averiguar os diversos fatores que acentuam a evasão no ensino superior do País, bem como urge medidas para contê-los. Para isso, as Instituições de Ensino Superior (IES), em parceria com a iniciativa privada, devem estabelecer estágios e projetos remunerados, por meio do enquadramento em horários adequados, a fim de atenuar, ao menos em parte, a carência de recursos monetários para possível continuidade do processo de educação e de qualificação profissional, haja vista que o estudante inserido no programa poderá conciliar estudo e trabalho em sua futura área de atuação. Dessa maneira, será minorada o quantidade alarmante de evasão apontada pelo INEP e poderá também dar prosseguimento à iniciativa de D. João.