Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil

Enviada em 30/10/2019

“Ordem e Progresso”. Por mais de um século, esse tem sido o lema da nação brasileira. Escrito no céu estrelado da Bandeira Nacional, o ideal desse bordão traz um claro significado de prosperidade. No entanto, os desafios para a diminuição da evasão universitária no Brasil denunciam que os princípios desse slogan não correspondem com a realidade atual do país. Nesse contexto, a má gestão do estado, associada à falta de auxílio financeiro ao aluno, é a principal causa dessa problemática.

Em primeiro lugar, é importante destacar que os altos índices de evasão universitária no Brasil evidenciam a ineficiência administrativa do Estado. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Liquida”, que algumas instituições governamentais perderam sua função social e se configuram atualmente como “instituições zumbis”. Essa metáfora proposta por Bauman serve para demonstrar que algumas instituições públicas são incapazes de desempenhar seu papel no contexto social e acabam por não cumprir com os direitos fundamentais da população. Assim, a fragilidade das ações do Governo é refletida na educação e colabora com o interrompimento precoce nos cursos universitários.

Ademais, é válido salientar que a falta de incentivo e auxílio financeiro para a permanência dos estudantes é uma realidade atual. Em consequência disso, os indivíduos com vulnerabilidade socioeconômica se veem na necessidade de trabalhar para se manter, o que contribui com o abandono escolar por falta de tempo e engajamento no curso desejado. Prova disso são os dados do Ministério da Educação de 2018, que revelam que mais de sessenta mil bolsistas do ProUni – bolsa concedida a pessoas vulneráveis economicamente – evadiram a graduação por motivo de trabalho. Nesse sentido, os auxílios e benefícios fornecidos pelo Governo para a permanência do estudante se demonstram insuficientes, e novamente o Governo se mostra ineficiente em relação ao problema.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. Para acabar com a evasão escolar, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, um projeto de atendimento financeiro para pessoas com menos recursos econômicos, que vise garantir a permanência do estudante no ambiente universitário sem a necessidade de trabalhar. Logo, a garantia de moradia, alimentação, material escolar e outras minucias vitais ao ser humano deve ser o objetivo central desse projeto. Além disso, cabe aos líderes políticos a luta pela melhora das instituições públicas brasileiras a fim de “ressuscitar” as instituições zumbis da metáfora de Bauman. Dessa forma, o Estado se mostraria eficiente nessa luta e o ideal do bordão escrito na Bandeira Nacional seria alcançado.